"Todo o Dinheiro do Mundo" teve uma campanha de marketing inesperada e polémica e até à sua estreia era mais conhecido pelos dramas de bastidores do que pela sua história.

Primeiro, Kevin Spacey filmou e terminou o seu papel como o bilionário J.Paul Getty, mas o escândalo de abuso sexual colocou-o fora de cena, sendo substituído por Christopher Plummer.

A seguir, após as regravações de todas as cenas em que Spacey contracenava com Michelle Williams e Mark Wahlberg, surgia nova polémica: Wahlberg teria recebido 1,5 milhões de dólares por dez dias de filmagens, enquanto que Williams ficou pelos 800 dólares.

Com toda esta distração mediática, o olhar curioso pesava agora sobre o catedrático mestre da representação: Christopher Plummer.

Baseado na história verídica dos Getty, acompanhamos o desenrolar do rapto de Paul Getty, neto de J.Paul Getty, bilionário que apesar de querer construir uma dinastia de sangue familiar, recusa-se a pagar o resgate.

A mãe de Paul (Williams), e um ex-agente da CIA (Wahlberg, em modo Liam Neeson preguiçoso), capataz do bilionário, acabam por unir forças, gerindo a situação, comunicando com advogados, jornais e um membro do gangue, ligeiramente arrependido.

O filme desenvolve-se com um ritmo de rastilho longo, viciando com o tempo que vai passando, enquanto aguardamos pela mudança de ideias do velho sovina. Mas as suas decisões tornam tudo ainda mais surpreendente pois os seus esquemas de unhas de fome fariam corar o Scrooge e o Tio Patinhas.

"Thriller" com algumas sequências de humor negro, onde o esforço da negociação por uma peça de arte traz mais veemência do que por um ser humano; violência visceral, com uma orelha cortada a manter a nossa vítima viva; e alguma compaixão e drama, no rosto de Michelle Williams, são alguns trunfos de negociação para quando se escolher o filme a ver nos cinemas esta semana.

Mas nada vence a excelência de Christopher Plummer, que chamado à última da hora, não deixou nada para as mãos de outros e fechou o novo filme de Ridley Scott, que literalmente, explora o valor monetário que atribuímos a uma pessoa.

"A Forma da Água": nos cinemas a 8 de fevereiro.

Crítica: Daniel Antero
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