"Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald" tem como pano de fundo a ascensão da ideologia de Gellert Grindelwald no seio dos feiticeiros, onde pretende a concentração de puros-sangues com os quais irá formar uma armada para controlar os "No-Mags".

Com uma clara alusão às origens da Segunda Guerra Mundial, a escritora J.K Rowling e o realizador David Yates recriaram um espelho mágico dos eventos da nossa era e colocam duas facções em busca dos seus feiticeiros mais poderosos: de um lado Grindelwald (Johnny Depp), do outro Aldus Dumbledore (Jude Law)... mas com um mistério do passado entre os dois.

Jude Law é charmoso e atrevido como Albus Dumbledore, um talentoso feiticeiro, professor nesta fase da vida, ainda com um travo rebelde... mas que vive ainda momentos traumáticos da sua juventude, que o aprisionam de movimentos nesta batalha.

Johnny Depp é Gellert Grindelwald, um vilão persuasivo, sedutor, mais sofisticado que Lord Voldemort, capaz de atrair aliados com a sua cadência hipnótica e inteligência. Infelizmente, Depp é, por estes tempos, uma caricatura dele próprio e já não basta um adorno corporal ou um fato excêntrico para o fazer transcender num papel.

Os dois inimigos procuram Credence Barebone (Ezra Miller), um "Obscurial" reprimido, peça-chave no plano de Grindelwald, que irá abalar todas as outras personagens com o seu poder caótico. Fugido em Paris, na procura da sua família, atrai para si os heróis do primeiro filme.

Dumbledore pede ajuda ao seu paladino Newt Scamander (Eddie Redmayne), o zoólogo enciclopédico, engenhoso e criativo, mestre em encontrar criaturas perdidas. E através dele, os quatro reúnem-se em Paris: Porpentina Goldstein (Katherine Waterston), de novo "auror" do Ministério da Magia e interesse amoroso de Newt; Jacob (Dan Fogler), um "No-Mag" que vive um romance furtivo com Queenie Goldstein (Alison Sudol), uma feiticeira com capacidade de ler pensamentos.

Como Newt, são também uns "outsiders" que procuram definir o seu caminho e é através da sua interajuda e simbiose que se vão realizar.

Com a narrativa mais intrincada que o primeiro filme, "Os Crimes de Grindelwald" é um "thriller" emotivo, negro, num registo cheio de "twists". Demasiados "twists".

O filme procura expandir o passado de várias personagens, abrindo o espaço para a dúvida e a intriga, pedindo que cada um escolha a sua facção. Com isso, perde fluidez e capacidade de se afirmar como filme auto-conclusivo, servindo mais como ferramenta de suporte para o que aí vem.

Como sempre, a moral mantém-se sobre o bem e o mal, lealdade e traição, pertença e ostracização, compreendidas num universo espelhado do nosso. E no final, surpresas irão acontecer.

Num filme que se chama "Monstros Fantásticos", a expectativa sobre as criaturas é alta. Aqui são de novo Pickett e Niffler, as figuras amorosas que vão impactar a aventura de Newt.

Este terá de dominar outras bestas como Zouwu, uma figura leonina, com listas de tigre e cauda de dragão; Augurey, uma espécie de coruja com um olhar inquisidor, Leucrotta, um alce com uma boca gigante; ou enfrentar Matagots, os gatos de guarda do Ministério Francês da Magia. Embora o "design" não seja o mais criativo, a concepção destas criaturas é soberba e de um 3D evoluído.

E tirando a componente de ser um filme para os fãs, este é o departamento de relevo para todos os cinéfilos e amantes de arte: o "design" de produção e os efeitos especiais são magníficos.

Desde a sequência da fuga de Grindelwald, onde sobrevoa os céus de Nova Iorque numa carruagem; à “cave” de Newt com as suas criaturas infindáveis; passando pela recriação de casas com estilo georgiano ou Tudor e ministérios que são autênticos monumentos de "Art Noveau" numa Paris de 1927 - é um deleite observar a magia da equipa de produção do director de arte Stuart Craig.

"Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald" é um capítulo num livro, poucos minutos num acto...mas numa saga de cinco filmes, um deles teria de servir para espalhar as narrativas e os conflitos. Aguardemos pelo terceiro. Até lá, basta arregalar os olhos com a magia do cinema e do 3D.

"Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald": nos cinemas a 15 de novembro.

Crítica: Daniel Antero

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