Palco Principal - Quando começou o projecto?

Bling Projekt - O primeiro contacto surgiu algures em 2008, quando o Avishay (baixista) descobriu o DJ X-Acto pelo Myspace e lhe enviou uma mensagem a propor um projecto musical, uma vez que ele vinha viver para Portugal. A visão do projecto, pode dizer-se que veio do Avishay, porque foi ele quem fez a abordagem inicial... Depois, com o input do X-Acto e aquilo que hoje em dia é possível um DJ fazer com as novas tecnologias, exploraram-se ideias e conceitos. Conheceram-se os dois pessoalmente quando foram assistir a um concerto que o Fred (guitarrista) deu com um outro projecto dele (isto no Verão de 2008)... Falou-se com o Fred, após esse mesmo concerto, e ele mostrou-se receptivo à ideia. Mais tarde, ele apresentouao grupoo António (baterista) e começámos a trabalhar a nível instrumental. Embora já houvessem umas ideas a serem rascunhadas anteriormente entre o X-Acto e o Avishay, só se começou a ensaiar com regularidade, meios e metas definidas no inicio de 2009, que foi quando conseguimos reunir e começar a tocar algo...

PP - Foi a vontade de cinco amigos se juntarem?

BP - Bom, na realidade não foi bem esse o caso, visto que apenas o Fred e o António é que já se conheciam. Foi um processo algo demorado para juntar as peças todas... Para além da parte instrumental, sempre quisemos ter um MC/host que se identificasse com o projecto e que desse asas às suas ideias e palavras, transmitindo isso para o público de uma forma diferente e interessante. Encontrámos então o Biru... Foi a ideia, a visão, o conceito e a musicalidade que nos juntou...

PP - Se tivessem de se definir com um estilo, qual seria?

BP - O Hip-Hop como base, sem dúvida, mas com o groove do Funk, experimentalismo do Jazz, alma do Soul. Tudo aquilo que cada um de nós inspira e expira musicalmente... É, acima de tudo, um projecto de liberdade de expressão. Hoje em dia, é dificil rotular a música, especialmente numa era em que tanta coisa é reciclada e transformada...

PP - O nome do grupo faz uma alusão directa ao hip-hop e aos seus adereços. Porquê a escolha de Bling Projekt?

BP - Hoje em dia, muitos dos chamados «hip-hop lovers» pensam que artistas «blingbling», como o Little Wayne e o Puff Daddy, são a definição de Hip-Hop, porque é aquilo que passa na TV, com todo o alarido à volta de roupa, carros, dinheiro, fama, enfim... Ao nós chamarmos Bling Projekt, estamos a tentar puxar o brilho onde ele realmente pertence: ao verdadeiro engenho lírico, à mensagem, ao conteúdo. Algo para reflectir, ou simplesmente apreciar... Queremos trazer uma sonoridade viva (e ao vivo) com o brilho e entusiasmo de algo que se faz, sente e que realmente nos pertence - a Música.

PP - Numa altura em que o hip-hop está menos em voga, há lugar para um grupo como o vosso?

BP - Uma das particularidades dos Bling Projekt é quesão umprojecto que vive do improviso e da experimentação por definição, portanto, logo à partida, nãosão um projectocomercial. Não há intuito de popularidade nesse sentido... Por outro lado, não se foca apenas no Hip-Hop. Alguém que aprecia música orgânica e com textos profundos, pode, então, identificar-se com os Bling Projekt. Não importa que nos dêem o rótulo de Funk/Jazz/Fusão/Hip-Hop/Soul/Experimental/etc, desde que gostem. Achamos que, acima de tudo, é um projecto para se tocar ao vivo e ser presenciado...

PP - A que público se dirigem?

BP - Qualquer pessoa com boa disposição, com gosto por música ao vivo e que não espere ouvir o óbvio, o formatado. Por vezes nem existe refrão nos nossos temas... Um público jovem-adulto e entusiasta.

PP - Quais as vossas influências?

BP - Nos ensaios fala-se muito em alguns nomes: Chris Daddy Dave, Mos Def, Q-Tip, The Roots, Jazz Liberatorz, Beat Assailant, J Dilla...

PP - Já têm algum trabalho editado?

BP - Lançámos um demo-EP em Fevereiro de 2010, e, desse EP, a faixa "Chikano" foi seleccionada e editada na recente compilação "FNAC Novos Talentos 2010".

PP - Para quando um CD?

BP - Estamos a trabalhar nisso. Não há datas previstas...

PP - Por onde têm actuado?

BP - Crew Hassan, Bacalhoeiro, Music Box, LX Casting Club, Catacumbas Jazz Bar, Associação 25 de Abril, Cinema São Jorge, entre outros.

PP - É difícil para uma banda recente implementar-se no panorama musical actual?

BP - Esta pergunta é para responder daqui aum oudois anos. Ainda estamos em fase de implementação... Qualquer projecto recente tem dificuldades em ver-se visto e ouvido...

PP - As redes sociais são importantes nesse processo?

BP - Sem dúvida! Actualmente, são o principal meio de divulgação de qualquer coisa que se faça para um público target maioritariamente jovem e/ou que gosta de estar informado.

PP - A internacionalização é um objectivo?

BP - Sim. Acreditamos que, hoje em dia, qualquer banda (especialmente na Europa) deve olhar para além fronteiras.A linguagem musical é universal.

PP - Quais os desejos para o futuro?

BP - Os Bling Projekt estão, actualmente, a trabalharem recentes gravações de novos temas. Entretanto, preocupamo-nos também em tentar tocar mais vezes e fora de Lisboa também. Espalhar a mensagem, alcançar outras gentes, viajar, apreciar, absorver, inspirar, criar, recriar, experimentar, tocar, espalhar música.

Ágata Ricca

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