Seis anos passados sobre esse disco, que vendeu mais de 10 milhões de cópias, Nelly Furtado voltou a gravar em inglês. Pelo meio lançou “Mi Plan” (2009), totalmente cantado em espanhol e maioritariamente produzido pela cantora.

“The Spirit Indestructible” era um disco muito aguardado no mercado americano e com ele Nelly vai provar se consegue fazer frente às novas estrelas da pop como Rihanna ou Katy Perry. Perante estas expectativas, Furtado contou com alguns dos melhores produtores para o álbum, nomes como Rodney “Darkchild” Jerkins, Salaam Remi e Mike Angelekos. No entanto, a cantora luso-canadiana continua como a principal compositora do disco e aparece também como produtora executiva.

O álbum abre com a música que dá nome ao disco, “The Spirit Indestructible”, que é mesmo uma das melhores faixas deste trabalho. A voz de Nelly Furtado surge dominadora e muito melódica. Com uma mensagem super positiva e um ritmo contagiante, este provavelmente deveria ter sido o primeiro single do disco, mas isso ficou a cargo do segundo tema “Big Hoops” (Bigger the better), que tem sido muito criticado por lembrar Rihanna e não ser um tema “à Nelly Furtado”.

Veja aqui o videoclip de "Big Hoops (Bigger the Better)":

“High Life” é uma boa canção pop, que vais buscar algumas das mais antigas influências de Nelly e o R'n’b e o hip-hop. “Parking Lot” é um excelente tema para dançar, mas, mais uma vez, vemos aqui Nelly aproximar-se de fórmulas usadas por outras cantoras, neste caso de M.I.A.. Nota-se que a artista está claramente fora da sua zona de conforto.

“Something” surge com participação de um dos maiores nomes do hip-hop americano, Nas. Um tema em ‘mid-tempo’, bastante urbano, mas com uma produção simples, tem tudo para ser um dos singles deste disco. “Bucket List” é talvez a faixa que mais nos faz lembrar os primeiros trabalhos da cantora, com bastantes influências folk e com uma forte textura urbana. Isto é Nelly como a temos conhecido.

“The Most Beautiful Thing” traz-nos uma convidada que tão bem conhecemos, Sara Tavares, que ajuda Nelly a criar um ambiente totalmente diferente do resto do álbum. Aqui as vozes voltam a imperar, os teclados banham a faixa de uma forma bastante suave e melancólica. Trata-se de um dos momentos mais belos do disco.

Já “Waiting For Tonight”, “Miracles”, “Circles” e “Enemy” são faixas que nada trazem ao disco, resultando portanto no efeito contrário e fazendo-nos desejar que ele acabe rapidamente. Mas felizmente “The Spirit Indestructible” não chega ao fim sem “Believers” (Arab Spring), um excelente tema e a melhor maneira de terminar o disco: uma faixa orgânica, cheias de dinâmicas e um refrão que dá vontade de cantar. Este álbum claramente precisava de mais faixas eletrizantes como esta.

“The Spirit Indestructible” não é claramente o melhor trabalho de Nelly Furtado, mas está longe de ser mau. Nota-se no entanto que o álbum perde quando Nelly se aproxima de sonoridades próximas de M.I.A., Rihanna ou mesmo Madonna. Podemos encontrar a enorme diversidade de estilos que já é habitual nos discos de Nelly, mas é essa mesma diversidade que lhe traz alguma fragilidade.

O que parece ser um projeto ambicioso, com muitas canções introspetivas e super produzidas, acaba por não resultar totalmente. É certo que sairão boas canções de “The Spirit Indestructible”, mas não serão estas que nos farão recordar o talento de Nelly Furtado.

@Edson Vital

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