O projeto junta, em palco, os alunos do Agrupamento de Escola João de Araújo Correia que frequentam o Clube de Música e ainda outros estudantes com surdez e um cego, que é convidado nesta iniciativa.

A música nasce nas mãos de Ana Filipa Alves, 14 anos e residente em Mesão frio, e revela-se em todo o seu corpo. Esta aluna canta no coro, toca pandeireta e cowbell e afirmou que gosta de participar na iniciativa que está a ser dinamizada na escola.

Joana Silva é a intérprete de língua gestual que trabalha no agrupamento e faz a ponte, na sala de aula, entre os alunos e os professores e, neste caso, os jornalistas também. É ela que está a ajudar no desenvolvimento deste projeto que junta oito alunos com surdez. E é através de Joana que Filipa revelou que sente a música, embora de uma forma diferente dos outros, os que conseguem ouvir. “Claro que a música tem muita coisa que não é fácil de expressar. Mas a língua gestual em si é uma língua muito expressiva, tem a sua parte teatral, que é possível, através do movimento e da expressão corporal ser transmitido aos alunos surdos”, afirmou Joana Silva.

Os alunos surdos sentem o ritmo e as vibrações com todo o seu corpo, transmitindo através da língua gestual a musicalidade, expressividade, teatralidade da voz e da música.

As mãos de Filipe Pinto, 21 anos e natural de Alijó, deslizam pelo piano com grande fluidez e sensibilidade. Filipe é cego e é por isso, através do seu ouvido “super apurado”, que tudo capta. Diz que já toca há muito tempo, depois de aos nove anos ter descoberto a paixão pela música. Decidiu aprender e é de ouvido que o faz. “Tocam por exemplo uma peça musical para mim e depois, se gostar, ensinam-ma”, frisou. Gosta das melodias e do ritmo e do projeto que está a ser dinamizado na Régua.” Isto é bom, porque convive-se mais, conhecem-se outras pessoas e outros instrumentos musicais. É como se estivesse a tocar numa banda a sério”, salientou.

No total, o “Música para todos os sentidos” envolve 34 alunos do Agrupamento João de Araújo Correia. Às vozes junta-se o som de vários instrumentos, desde o piano, a flauta, sinos, pandeireta, bateria ou guitarra. “O objetivo do projeto é mostrar que esta é uma escola inclusiva, onde todos têm direito a aprender da mesma maneira”, afirmou o coordenador do projeto, Alberto Mendonça.

O responsável admite que é um pouco difícil ser professor de alunos com necessidades especiais, no entanto, salientou que, “independentemente dos sentidos, cada qual apura mais os seus sentidos para poder participar de igual forma, com o mesmo grau de exigência neste projeto”. “É difícil porque as crianças que são surdas sentem a pulsação à sua maneira e apuram efetivamente a visão, o sentido da visão. No caso do aluno cego, apura a audição”, sublinhou.

A apresentação do projeto decorreu quarta-feira, com um recital que decorreu no Conservatório de Vila Real. Depois, até ao final do ano, estes alunos vão ainda participar na festa da escola, na Régua, e num espetáculo que decorrerá no Teatro Ribeiro da Conceição, em Lamego.

@Lusa

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