
Trinidad Nogales, conselheira do Governo da Extremadura, falava em Lisboa na conferência de imprensa de apresentação do cartaz do festival, que inclui nomes como Carlos do Carmo e Paco de Lucía, e que se realiza de 10 a 13 de julho, no Auditório Municipal Ricardo Carapeto, com capacidade para duas mil pessoas pessoas, na cidade espanhola.
Nogales afirmou que o executivo regional aposta “na excelência dos produtos culturais e na sua internacionalização”, e daí retomar este ano o Badasom, que se realiza desde 2008, tendo sido interrompido o ano passado.
O Badasom, festival de fado e flamenco, “dois estilos de música popular, urbana, muito autênticos” – como afirma Nogales -, realiza-se em Badajoz, cidade apresentada pela conselheira como “um símbolo da Península Ibérica”. A edição deste ano “abre-se a outras músicas de ambiente lusófono" e inclui a participação dos Buraka Som Sistema e do espanhol Macaco.
O diretor artístico do Badasom, Francisco Camps, afirmou que a ambição do festival, “por onde têm passado grandes nomes” como Mariza, Dulce Pontes, Enrique Morente e Carmen Linares, era apresentar “os dois maiores [intérpretes] que têm passeado o fado e o flamenco pelo mundo”, respetivamente Carlos do Carmo e Paco de Lucía. Camps acrescentou ainda “a vontade de juntar [na programação] nomes consagrados com jovens [revelações] e abrir o festival ao mundo da lusofonia”. Francisco Camps disse que o orçamento do Badsom é de 350.000 euros, esperando-se 150.000 euros de receitas da bilheteira.
Além do público estremenho e vindo de outras partes da Espanha, Camps afirmou que, a exemplo dos anos anteriores, espera-se a vinda de portugueses “do arco geográfico de Évora a Portalegre”.
O Badasom abre, no dia 10 de julho, com a basca María Benasarte, que, em 2009, se estreou em disco, interpretando melodias tradicionais de fado, com poemas do português Tiago Torres da Silva, seguindo-se Paco de Lucía, no palco do auditório Ricardo Carrepeto, guitarrista flamenco distinguido em 2004 com o Prémio Príncipe das Astúrias.
Paco de Lucía partilha o palco com Alain Pérez (baixo), Antonio Serrano Dalma (harmónica), Antonio Sánchez Palomo (segunda guitarra), "El Piraña", Israel Suarez Escobar, (percussão) "Farru", Antonio Fernández Montoya (bailador) e os “cantaores” (cantadores de flamenco) David de Jacoba e Antonio Flores Cortés.
No dia 11 de julho, canta Carlos do Carmo, fadista com cerca de meio século de carreira, e atua o grupo Extremadura - Território Flamenco, que canta e toca tangos e jaleos. O grupo evidencia a prática da cultura flamenca em território estremenho. Como destacou hoje a representante do alcaide da Badajoz Paloma Morcillo, “o flamenco é uma realidade”, naquela cidade.
No dia 12, atuam Carminho, distinguida o ano passado com o Prémio Amália Rodrigues para a Melhor Intérprete, e Diana Navarro, que se estreou em 2005 com o álbum "No te olvides de mí", que vendeu mais 250.000 exemplares.
No dia 13 encerram o festival os Buraka Som Sistema, banda que já editou dois álbuns, “Black Diamond” (2009) e ”Komba” (2011), e Macaco, banda espanhola que iniciou a carreira nos anos de 1990 com álbum “El mono en el ojo del tigre”, tendo já editado outros cinco álbuns.
O festival pretende reforçar que portugueses e espanhóis são “vizinhos e irmãos”, que “a raia não separa”, como disse hoje Morcillo.
@Lusa
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