Palco Principal - O que te levou, em 2009, a enveredar por um projeto a solo?

Mirror People - Eu sempre fiz música em casa, fora das bandas que fui tendo. Senti, na altura em que comecei a escrever algumas ideias para os X-Wife, que muitas delas não encaixavam na banda. Pareceu-me uma boa altura para editá-las sob nome próprio.

PP - “Voyager” é o teu álbum de estreia. Porquê só agora, seis anos depois, a edição de um longa-duração?

MP - Com consciência de ser o meu primeiro álbum a solo, quis ser o mais perfecionista possível. Demorei imenso tempo a completar as canções, até achar que estavam no ponto de serem mostradas ao mundo. Esse processo demorou dois anos.

PP - “Voyager” é, assumidamente, um álbum de música de dança. Encaras a edição, em Portugal, de um álbum com este tipo de sonoridade como um desafio?

MP - Sinto que a música de dança está, atualmente, mais presente em Portugal, mas, definitivamente, o disco sound - seja moderno ou antigo - é algo que nunca fez parte da nossa tradição. Não sinto que o "Voyager" seja totalmente colado a uma categoria musical mas sim a várias que me influenciam. Por exemplo, o single "I Need Your Love" é, para mim, uma canção Pop com influências disco.

PP - Quando ouvimos o teu disco, sentimos um toque a anos 70, sentimo-nos a brilhar sob uma bola de espelhos. Como surge esta inspiração? Que artistas dessa época mais admiras?

MP - Acho que a referência dos anos 70 surge porque eu adoro bandas como os Talking Heads ou as ESG, que misturam o Funk, Disco e New Wave. São grandes influências para mim. Existem uns certos elementos nas canções (percussão, por exemplo) que remetem para essa época. Um dos aspetos que tive em mente foi compor um álbum com uma sonoridade bastante alegre, com uma boa energia, que misturasse o lado máquina dos sintetizadores com o lado humano dos instrumentos acústicos.

PP - Em “Voyager” contas com a participação de vários artistas convidados, como Maria do Rosário, Hard Ton, James Curd, Rodrigo Gomes e Rowetta. O que te levou a trabalhar com eles?

MP - Já tinha trabalhado com a maior parte destes músicos no passado. Fiz remixes para os Hard Ton ou para o James Curd. Outros são meus colaboradores habituais ou amigos que admiro. Existe aqui uma noção de comunidade em que colaboramos uns com os outros.

PP - Como foi trabalhar com eles neste registo?

MP - O processo longo das canções também se deveu a encontrar a sonoridade perfeita para cada uma das vozes. Ao mesmo tempo essa sonoridade teve de fazer sentido com o resto do conjunto de canções para o álbum. Acho que existem vários elementos que nos unem. Movimentamo-nos, mais ou menos, pelos mesmos estilos musicais.

PP - “I Need Your Love” foi o single escolhido para apresentar o álbum. Porquê?

MP - Acho que a “I Need Your Love”, além de ser uma canção com um toque "radiofónico", representa bem o álbum, no sentido em que tem elementos que encontramos noutras canções. O caso da secção de cordas, que nos remete para o disco, a guitarra para o funk e o geral para o indie meio pop... Ou seja, acho que o “I Need Your Love” é um apanhado do que esperamos ouvir no disco. E, sendo a Maria do Rosário a minha convidada para as apresentações de Mirror People ao vivo, este single faz todo o sentido, uma vez que é ela que dá voz ao mesmo.

PP - Não quiseste com esta escolha, eventualmente, dar um toque mais romântico a esta viagem?

MP - Não diria romântico, mas sim mais humano, no sentido em que existe uma mistura de culturas e de estilos musicais.

PP - Tens a experiência de tocar enquanto grupo, adquirida com os X-Wife, mas também já levas alguns anos de experiências a solo. Em que registo te sentes mais confortável? Que registo te proporciona uma maior ligação com o público?

MP - Diria que são experiências diferentes. Nos X-Wife eu tenho o papel de músico, que toca sintetizadores, e com outros elementos formamos esta banda. Atuamos como uma unidade, em sintonia.Com Mirror People em formato Live, agora com a Maria do Rosário, ou em formato DJ o processo é mais individualista. Sou eu quem dá a cara e assume todas as posições do projeto.Apesar de serem experiências diferentes, o meu objetivo foi e será sempre fazer chegar a música ao público e que essa mesma provoque boas sensações.

PP - Com Mirror People e com o projeto de João Vieira a solo – White Haus -, em que página ficam os X-Wife?

MP - Os X-Wife têm um lugar próprio, sem dúvida. Apesar da banda já ter uns anos, a página ainda está a ser escrita!

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