Numa entrevista depois de um ensaio para o concerto que vai levar a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música a Madrid, no sábado, para interpretar “Ruf” do compositor português Emmanuel Nunes e a Sinfonia n.º 5 de Tchaikovsky, o maestro titular a partir de janeiro elogiou não só a orquestra como a própria instituição do Porto.

“Quando procuravam um maestro acho que procuravam alguém que levasse a orquestra ao próximo passo. Gosto muito da orquestra, gosto dos intérpretes, adoro a estética, gosto do que tentaram fazer aqui. (…) Vais a alguns sítios onde tudo é feito, mas não tens a mesma energia. E aqui vês algo a avançar. Por isso estou muito entusiasmado”, afirmou Baldur Brönnimann, que vai assumir o cargo em parceria com Leopold Hager como maestro convidado principal.

Sobre a combinação com Hager, que terá por objetivo a apresentação de peças ditas mais “tradicionais”, o maestro considerou que é “boa ideia”: “Trago as minhas ideias, o meu repertório e a minha maneira de tocar, mas estou aqui talvez oito ou 10 semanas por ano. A orquestra, de muitas formas, é bastante jovem. Acho que é uma boa combinação e estou satisfeito que ele esteja cá porque nos complementamos”.

“Posso dizer-te uma coisa: não sou muito conservador. E não está relacionado apenas com a música contemporânea, é com qualquer tipo de música. Sei que a música clássica tem uma imagem conservadora, não sei bem porquê. Para mim, quando era jovem, não estava bem interessado em música contemporânea, só achava estranho não tocar música do meu tempo. Estou vivo agora, não há 150 anos. Quero que esta música diga algo a esta realidade”, disse o suíço.

Em relação à imagem “conservadora” que a música clássica possui, Brönnimann realçou que poderá haver “pessoas que talvez vão a Serralves, mas não viriam [à Casa da Música] porque é clássica e isto quer dizer ‘é chato, formal’”.

“O som de uma orquestra é algo muito entusiasmante. Haverá muita gente que gosta, mas não vem porque não o conhece tão bem. Então estou muito interessado em abrir isto. Porque é uma orquestra que está lá para todos: financiamento público, os bilhetes são baratos, o que é bom, está lá para todos e quero muito abrir isto”, acrescentou.

O concerto de estreia enquanto maestro titular da orquestra vai dar-se no dia 16 de janeiro, com Pedro Burmester ao piano, intérprete que Brönnimann ainda não conhece, mas que o leva a afirmar estar “muito ansioso por conhecer artistas portugueses”.

@Lusa

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