O “Entre Margens” é promovido pela Fundação Museu do Douro e produzido pela Procur.arte Associação Cultural.

Sob a coordenação artística de Hugo Menezes, o projeto “Sons do Douro” procura cruzar as sonoridades da música popular e da percussão contemporânea.

Para este efeito, duas dezenas de pipas de vinho foram adaptadas para bombos. Utilizados durante três anos numa adega, os pipos de carvalho francês, com capacidades para 225 e 500 litros, foram devidamente preparados para a nova utilidade.

Na aldeia de Palaçoulo, concelho de Mogadouro, foram aplicadas peles de cabra serrana que são também utilizadas nos bombos tradicionais. A sonoridade destas pipas será semelhante à do típico bombo

“Na origem de alguns instrumentos da América Latina está a colocação de pele de animal numa pipa, como é o caso das congas e atabaques, mas em Portugal, não conheço nenhuma outra experiência com pipas”, referiu, em comunicado, Hugo Menezes. Acrescentou ainda que a sonoridade é muito semelhante à do típico bombo, mas “com mais possibilidades ao nível da intensidade e do timbre”.

Numa primeira fase, os músicos frequentaram um workshop para criarem uma peça de percussão com as pipas. Já num segundo momento, juntam-se os elementos dos grupos de bombos de Lamego.

O “Sons do Douro” inclui a participação de mais de meia centena de músicos, com idades compreendidas entre os 14 e os 53 anos, provenientes dos concelhos de Alijó, Armamar, Lamego, Peso da Régua, Tarouca e Vila Real.

Este espetáculo, que foi apresentado no sábado, em Lamego, e a 14 de setembro, na Régua, é um projeto musical construído de raiz para o Entre Margens.

O Entre Margens teve um orçamento global de 1,3 milhões de euros, financiados por fundos comunitários.

A terceira e última edição do projeto arrancou em maio, em Vila Real e termina em outubro, na Régua, depois de passar também por Mirandela, Lamego, Santa Marta de Penaguião, Amarante, Vila Nova de Gaia e Porto.

No âmbito da iniciativa e ao longo de três anos, 44 fotógrafos reuniram 600 fotografias sobre o Douro, criando uma nova “cartografia” de imagens que unem a modernidade à tradição.

O projeto desafiou fotógrafos e artistas a revelarem novos olhares sobre o Douro, o rio, o vinho, a paisagem, a religião, as tradições e lendas, ou as suas gentes e a solidão.

As exposições “invadem” depois os centros históricos das localidades envolvidas.

O “Entre Margens” intervém na região do Douro, desde a foz até ao Alto Douro. Abarca um território de 1.879,3 quilómetros quadrados e uma população de 722.975 pessoas e integra duas áreas classificadas pela UNESCO como Património Mundial (Centro Histórico do Porto e Alto Douro Vinhateiro).

@Lusa

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