São gravações independentes, propostas que aceito, desafios a que me proponho criativamente como exercícios, produções low-fi sem o dedo polidor da produção dos dias que correm. O conceito será o abrir de uma janela mais pessoal e directa para dentro de «minha casa».

Através de pequenas edições ou apenas gravações largadas na internet, vou mostrando os outtakes do tempo que corre entre CDs. No fundo gostava que este projecto se caracterizasse por não ter qualquer definição. Será o que for, nas alturas em que acontecer, como tiver que acontecer».

O músico explica que «este «Tiago na Toca e Os Poetas» é um conjunto de poemas que musiquei, em conjunto com algumas versões que gravei no Verão de 2008, entre os Álbuns «O Jardim» e «Em Fuga». A ideia foi despoletada por um poema que ouvi, cantado pelo Camané, chamado «O Lenço», que musiquei de novo e me trouxe a ideia de fazer todo um Álbum de palavras que não eram minhas.

Assim, comecei a minha pesquisa pelos Poetas que me fizeram começar as escrever: Poetas antigos, também Poetas do Fado que tanto me moldou. O desafio de desvendar emoções, de lhes dar sons, harmonias, novas roupagens... E para isto usar o espaço, a captação descomprometida, o improviso, o instinto. As gravações foram feitas na sua maioria em minha casa, com um, ou no máximo, dois microfones. Convidei pessoas que admiro e músicos com quem gosto de tocar. Sem ensaios, foi surgindo um dos projectos mais profundos que gravei, pela cumplicidade, pela naturalidade das participações, pela simpatia de quem me visitou. Este álbum não é para ser gritado e vendido à porta das pessoas. É um álbum discreto, sereno, como um segredo.

Nasceu depois a ideia de fazer um CD / Livro que materializasse o projecto de forma especial. Conheci, então algures por Lisboa, o Mário Belém cujo trabalho me fascinou e que acabei por convidar para entrar nesta aventura. Juntos fomos percebendo de que forma poderia ser feito este objecto, fomos visitar alfarrabistas, fui buscar edições antigas de livros de poemas que tinha cá por casa. Tudo o resto foi o Mário e todo o seu talento. Podem saber mais sobre o seu processo criativo no site dele que vos convido desde já a visitar».

Assim, continua ainda Bettencourt, «o «Tiago na Toca» deixou de ser apenas um Álbum de música e passou a ser um objecto único, limitado, especial. Recebi ontem as primeiras edições e fiquei comovido com cada pormenor: desde o papel, ao toque, ao cheiro, desde as ilustrações até ao pequeno envelope que contém o CD, tudo perfeito. Cada poema está acompanhado de um texto escrito por mim com o relato de cada gravação. O meu pai escreveu um prefácio. Este projecto é fruto da simpatia, dedicação e inspiração de muita gente e a todos estou grato. Assim, dois anos e tal depois da data prevista, o disco ficou pronto».

Todo o lucro das vendas irá reverter para a Associação Ajuda-me a Ajudar.

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