Em Macau para participar nas comemorações locais do 10 de Junho, Luís Represas explicou que cantar "Timor" foi das poucas promessas que não cumpriu depois de, na festa da independência de Timor-Leste, ter dito que não voltaria a cantar a letra de João Monge. "Mas faço-o em casos muitos especiais, em que faz sentido", justificou ao explicar a quebra da promessa.

Na reedição do disco, disse, "há um renascer da música de uma outra forma". "Quando estive em Timor em 2007, falei com Xanana Gusmão e desafiei-o a fazer uma tradução para tétum da letra do João Monge. E ele fez. Escreveu, mandou-me a letra e eu fiquei à espera uma data de anos da oportunidade de gravar como eu o queria fazer (…), em Timor com os timorenses".

Alguns anos de espera e surge a oportunidade de regressar a Timor-Leste a convite do Sport Díli e Benfica e nessa altura foi preciso "mexer cordelinhos" para conseguir arranjar as condições necessárias à gravação, contou Luís Represas.

O músico podia ter gravado em Lisboa a nova letra com um grupo de timorenses que cantassem ou ensinassem portugueses a cantar, mas optou por ir à origem da língua, afirmou. "Naquela altura só pensei: ou agora ou nunca e consegui gravar", disse ao salientar que o disco "está pronto e nos próximos meses" pode ser vendido em "prol de uma organização que se chama ‘crianças unidas', organização essa escolhida pelo próprio Xanana Gusmão para ser a beneficiária, esperamos nós, dos bons resultados da venda", acrescentou.

Para Luís Represas, a gravação do disco - que incluirá também uma versão inédita em português gravada em 2006 nos seus 25 anos de carreira com a orquestra sinfónica juvenil - "fecha um ciclo" da própria música, que promete continuar a cantar quando fizer sentido.

"A gravação fecha um ciclo porque ao cantar a canção em tétum pelos timorenses é como se a canção fosse devolvida a eles. E faz todo sentido, era isso que eu queria, devolver a canção e torná-la ainda mais deles e como tal, e também por isso, não irei deixar de cantar quando isso fizer sentido", garantiu ao recordar Macau como um "porto de abrigo de timorenses" que fugiram do regime indonésio e por isso um local onde faz sentido tocar "Timor".

@Lusa

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