O álbum, o 27.º da carreira do guitarrista, intitula-se “Canción Andaluza” e foi “o último disco que o mestre do flamenco deixou pronto”, segundo a mesma fonte.

"Canción Andaluza" é “um testemunho histórico, em que Paco grava oito clássicas coplas andaluzas que nunca antes tinha tocado, mas que fizeram parte das suas recordações de infância, como ‘María de la O’, ‘Ojos Verdes’ e ‘Señorita’”, lê-se no mesmo comunicado.

O fadista Carlos do Carmo, que era amigo e admirador do músico espanhol, afirma, citado pela editora, que este é um disco "irrepetível" e identifica, numa das canções, referências da guitarra portuguesa.

"Há um flamenco antes e depois do Paco, e não é porque haja uma rutura, mas porque ele abre o género. Tal como Astor Piazzolla e o tango. É nesse plano que eu o coloco", afirma Carlos do Carmo.

Para o fadista português, "o amigo Paco de Lucía" era "um homem de equipa, que distribuía muito bem o jogo".

Segundo a Universal Music, Carlos do Carmo e Paco de Lucía “tinham planeado uma colaboração para 2014”.

Paco de Lucía (Paco é o diminutivo espanhol de Francisco e Lúcia era o nome da mãe, natural de Castro Marim, no Algarve) atuou diversas vezes em Portugal, a última das quais em 2007, quando apresentou o álbum “Cositas Buenas”, no Campo Pequeno, em Lisboa.

Em 1981, o músico editou um álbum intitulado “Castro Marim”, de homenagem às raízes portuguesas e, em 2005 – a 20 de agosto de 2005 -, quando tocou na vila algarvia, tratou os espetadores portugueses por “primos”.

No ano passado atuou para um público luso-espanhol no Festival Badasom, em Badajoz.

De uma família de músicos - tem dois irmãos guitarristas e um outro cantor - colaborou ao longo da carreira com dezenas de músicos, incluindo guitarristas como Al DiMeola, John McLaughlin e o pianista Chick Corea.

Subiu pela primeira vez a um palco com apenas 12 anos - na altura chamava-se apenas Francisco Sánchez Gómez -, mas já ambicionava seguir os passos do pai, também guitarrista, e dedicar-se plenamente ao flamengo.

Foi a partir dos anos 1960 e especialmente na década seguinte, que o mito de Paco de Lucía nasceu, com reinterpretações dos ritmos do flamenco que o guitarrista fundiu com outros sons, como o do cajón peruano, com que estreou, ao vivo, um dos seus temas mais conhecidos, “Entre dos aguas”.

Trabalhou com os principais nomes do flamenco em Espanha, retirou o flamenco dos 'tablaos' (lugares onde se realizam apenas espetáculos deste género musical) e levou-o aos grandes palcos de todo o mundo, algo que consolidou com esse êxito de 1973, “Entre dos aguas”, a rumba mais conhecida.

Misturou o flamenco com jazz, blues, country, salsa, bossa nova e até música hindú e música árabe, inspirando mestres de vários estilos.

Galardoado em 2004, com o Prémio Príncipe das Astúrias das Artes, recebeu, no mesmo ano, um Grammy Latino para o Melhor Álbum de Flamenco, o Prémio Nacional de Guitarra de Arte Flamenco, a Medalha de Ouro Mérito das Belas Artes 1992, o Prémio Pastora Império e o Prémio da Música em 2002.

O músico que foi considerado "um génio", pela crítica especializada, morreu aos 66 anos em Cancún, no México, no passado dia 26 de fevereiro.

@Lusa

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