Para estes profissionais, segundo o documento a que a Lusa teve acesso, "fortes quebras no rendimento são já uma realidade.

O inquérito foi realizado a 300 artistas e profissionais, pelo movimento que tomou forma no início do mês, e que engloba mais de 500 trabalhadores, incluindo criadores, críticos, curadores, produtores, historiadores, professores e gestores culturais.

De acordo com este trabalho, no último mês e devido à COVID-19, 62% dos inquiridos tiveram o seu trabalho completamente ou quase completamente parado, 65% (dois em cada três) viram ser completamente afetada a sua vida profissional e 75% (três em cada quatro) a sua vida pessoal.

O movimento mostra-se disponível para trabalhar em conjunto com todos os profissionais do setor e com o Governo e outros parceiros institucionais na procura de soluções globais, participadas e multissectoriais que permitam ultrapassar esta crise imensa e anunciou novidades para os próximos dias, na declaração que acompanha os resultados, hoje divulgados.

Realizado entre 3 de abril e o dia de hoje, o inquérito aponta que 54% dos inquiridos afirmaram que a COVID-19 prejudicou completamente os seus rendimentos, enquanto apenas 6,6% disseram não ter os rendimentos afetados, pela paralisação na resposta à pandemia.

Ao mesmo tempo, 65% dos inquiridos viram a vida profissional completamente afetada pela COVID-19, contra 0,6% dos inquiridos que disseram que a pandemia do novo coronavírus não lhes afetou a vida profissional.

O Movimento "SOS Arte PT" surgiu no passado dia 1, com o objetivo de estabelecer propostas para "resistir" aos efeitos da crise provocada pela pandemia da COVID-19, em defesa das artes visuais do país.

Contactado pela agência Lusa, na altura, o gestor cultural Carlos Moura-Carvalho, um dos promotores da iniciativa, indicou que o movimento deverá transformar-se numa associação cultural e profissional nesta área, "assim que as circunstâncias" o permitirem.

Os promotores - que envolvem ainda, entre outros, o curador e crítico de arte António Cerveira Pinto e os artistas Ana Fonseca e Manuel Casimiro - avançaram desde logo com várias propostas, nomeadamente a criação de um fundo de emergência que possa reunir financiamento público e privado, "para garantir proteção social a todos os profissionais das artes durante o período de impossibilidade de realização de exposições, performances, conferências e outro tipo de atividades".

O documento propôs ainda o reajustamento do Plano Nacional das Artes de modo a integrar ações "adaptadas à nova realidade que [se vive], recorrendo a profissionais das artes que tenham visto cessar as suas atividades e empregos por causa da covid-19".

O "SOS Arte PT" pretende ainda responder aos impactos da pandemia na atividade artística criando "Círculos de Proteção" que identifiquem "os principais estrangulamentos da atividade cultural".

O movimento definiu-se como "apolítico, de âmbito nacional, e positivo, aberto a todos os criadores das artes visuais". É um grupo que "tem poucos apoios e [que] nesta altura vive muitas situações de perda de trabalho", disse então à Lusa Carlos Moura-Carvalho, ex-diretor-geral das Artes.

O movimento "SOS Arte PT" tem mais de 500 fundadores, entre os quais Fernando Pina, Fernando Ribeiro, Helena César, Joana Leitão de Barros, Luís Campos e Cunha, Margarida Sardinha, Maria de Fátima Lambert, Regina Frank, Rodrigo Bettencourt Câmara, Thuy Tien e Valentim Quaresma.

Os resultados do inquérito agora divulgados pelo movimento, na área das artes, complementam os divulgados pelo Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, do Audiovisual e dos Músicos (Cena-STE), no início deste mês.

De acordo com um inquérito feito pelo Cena-STE, 98% dos trabalhadores de espetáculos, questionados pelo sindicato, viram trabalhos cancelados e, 33 por cento, por mais de 30 dias.

Em termos financeiros, para as 1.300 pessoas que responderam ao questionário, as perdas por trabalhos cancelados representam ainda dois milhões de euros, apenas para o período de março a maio deste ano, de acordo com o Cena-STE (o que indica a perda de um valor médio de receita, por trabalhador, de cerca de 1.500 euros).

O inquérito, realizado já na segunda quinzena de março, no contexto de confinamento, em resposta à pandemia de COVID-19, indica ainda que 85% dos trabalhadores questionados são independentes e não têm qualquer proteção laboral.

O Cena-STE deu conta dos resultados do estudo que elaborou à ministra da tutela, Graça Fonseca, numa reunião que já lhe fora solicitada antes de terminado o inquérito, e que acabou por se realizar no início deste mês.

Na passada quarta-feira, no âmbito da audição no parlamento, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, defendeu que os trabalhadores são “uma área de intervenção prioritária” para preparar o futuro de um setor cujos problemas foram agudizados pela atual crise, como admitiu.

“Identificamos, desde já, uma área de intervenção prioritária para preparar o futuro: as pessoas, os artistas, os técnicos, todos os que trabalham neste setor da Cultura”, afirmou Graça Fonseca, numa audição parlamentar requerida pelo PAN e pelo PS sobre as consequências da pandemia da covid-19 nos setores da Cultura e da Comunicação Social.

Segundo a ministra, a tutela irá “trabalhar para criar melhores condições laborais e sociais, nomeadamente para garantir mais igualdade e uma carreira contributiva regular e permanente, que garanta adequadas condições, para o futuro, de todos os que fazem parte do setor da cultura”.

Graça Fonseca admitiu que os impactos da crise que se vive atualmente, consequência da pandemia da COVID-19, “agudizam problemas antigos, de anos, que a Cultura tem”.

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