O romance “Elmet”, protagonizado por Daniel, de 14 anos, é a estreia literária de Fiona Mozley, de 29 anos, e foi finalista, no ano passado, do Man Booker Prize, ao lado de Ali Smith, Paul Auster e George Saudners, que arrecadou o galardão com “Lincoln no bardo”.

O romance "Elmet", apontado pela editora portuguesa como “uma fábula rural”, evoca as lendas de Elmet, que foi o último reino celta independente em Inglaterra (século V a VII), e que se localizava na região de Yorkshire, embora a ação romanesca decorra na contemporaneidade.

Daniel, de 14 anos, o narrador e protagonista, vive com a irmã Cathy, e o pai, John, que, ao longo da narrativa, é sempre referenciado como “papá”, o que contrasta com a sua figura, um pugilista de estatura épica, mas acentua o afeto que une os três, que vivem numa casa de madeira que eles construíram.

A narrativa conta cenas em que as crianças lavam e cortam o cabelo do pai, ou partilha momentos em que John enrola tabaco e bebe cidra.

Daniel usa cabelos longos e unhas compridas, gosta de fazer as tarefas domésticas, e é visto pelo pai como um rapaz estranho, enquanto Cathy é uma revendedora de eletrodomésticos, dinâmica e vingativa, que, a dado passo da narrativa, interroga o irmão: “Estou sempre com raiva, não é, Daniel?”.

Para o jornal britânico The Guardian, “’Elmet’ possui um lirismo rico e simples", referindo as "cenas de batatas a assar e chávenas de chá, simples e caseiras, que são descritas de modo a provocar um sentimento de saudade”.

“Acima de tudo, a natureza - flora, fauna, esterco, sangue e minerais - é carinhosamente descrita”, refere o jornal.

Para o jornal Sunday Times a ficção revela “uma combinação de idílio pastoril, exposição política, saga familiar e conto de terror” e “lê-se como uma história tradicional que se transforma num filme de ‘gangsters’; ‘Hansel e Gretel’ misturado com ‘O Padrinho’”.

Numa entrevista à revista Vogue do Reino Unido, a autora afirmou que nunca, conscientemente, tomou a decisão de se tornar escritora.

“Nunca tomei uma decisão consciente de ter a escrita como minha profissão. Era mais a ansiedade em escrever um romance, mas não sabia se seria capaz de o terminar, muito menos publicá-lo. Escrever romances nunca foi uma carreira particularmente estável. Só depois de tudo o que aconteceu, ter feito parte da lista de finalistas do ‘Man Booker Prize’, é que, relutantemente, comecei a referir-me a mim como romancista”, disse Fiona Mozley.

Na mesma entrevista, a autora disse que começou a escrever “Elmet”, no telemóvel, durante uma viagem de York, onde foi visitar os pais, a Londres.

“Estava a observar o cenário daquilo que o que uma vez foi Elmet - uma paisagem familiar para mim, pois fui criada em Yorkshire - e fiquei imaginando sobre aquelas casas que via ao longo da linha férrea, e as pessoas que lá moravam. Esta foi a origem do enredo, mas eu estava há séculos a pensar escrever um romance”, disse.

O romance “Elmet. Vidas Desencantadas”, que aborda “as dicotomias do ser humano”, segundo a editora Clube do Autor, é traduzido para português por Eugénia Antunes.

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