Claude François, Dalila, Mike Brant e Sacha Distel "apresentaram-se" juntos na noite desta quarta-feira (11) no Palácio dos Congressos, na estreia deste espetáculo inédito, denominado "Hit Parade".

Após uma espera programada, o holograma de Claude François aparece no palco, acompanhado das suas bailarinas, conhecidas como "Clodettes". Ele entoa "Cette année-là", uma lendária canção francesa, que costuma embalar todos os finais de festa na França.

"Quando o vi, emocionei-me, mas queria que se aproximasse. Eu sentime frustrada", diz Veronique Tudela, de 51 anos. "É uma tecnologia ingrata porque queríamos mais", resume o seu marido, Thierry.

O figurino e as coreografias são trabalhadas ao pormenor. Durante uma hora e meia, os ídolos dos anos 1970 interpretam uma dúzia de sucessos da 'chanson française', como "Gigi l'amoroso" (Dalida), "Qui saura" (Mike Brant) e "Toute la pluie tombe sur moi" (Sacha Distel).

Mas pouco a pouco, o público vai entendendo os limites deste novo tipo de espetáculo.

Os hologramas, por exemplo, ficam na parte posterior do palco e o público confessa que gostaria de ter maior interação, uma experiência que superava o facto de ouvir um álbum ou ver um filme biográfico.

O estúdio francês de efeitos visuais Mac Guff, trouxe de volta à vida os quatro ídolos franceses, que juntos venderam 250 milhões de discos.

A Mac Guff usou a tecnologia da "motion capture" (captura de movimento) para recriar os rostos em três dimensões e para o corpo, recorreu a pessoas de carne e osso, com as mesmas proporções físicas dos artistas falecidos.

O custo total foi de quase seis milhões de euros, além de um trabalho titânico de vários anos.

Até agora, os espetáculos com hologramas limitavam-se sobretudo a breves sequências, como uma única canção, como foi o caso, em 2014, do falecido rei do pop Michael Jackson, durante os Billboard Music Awards.

A outra única referência conhecida é a atuação, há cinco anos, do rapper americano Tupac Shakur, falecido em 1996, durante a edição de 2012 do festival de Coachella, na Califórnia.

"Está muito bem feito,  não se distingue entre o verdadeiro e o falso", afirma no Palácio dos Congressos Katia Cygankiewicz, de 35 anos, enquanto assiste a um número em que os hologramas se misturam com  bailarinos de carne e osso. "Mas não sabemos se estamos num espetáculo ou no cinema", afirma.

Grande fã de Dalida, Celine Papin, de 41 anos, questiona-se menos e assegura desfrutar do concerto. "Nunca vi estes artistas (no palco), tenho a sensação de voltar no tempo", assegura.

Depois de Paris, o espetáculo "Hit Parade" vai começar uma digressão por outras cidades francesas, Suíça e Bélgica.

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