Verlaine “é um dos grandes poetas franceses de sempre, figura absolutamente marcante da cena literária gaulesa do período 1870-1900”, e “será o poeta francês mais vezes musicado, havendo quem avance cerca de 1.500 peças baseadas na sua poesia, por mais de 700 artistas, desde 1871”, segundo o musicólogo Bernardo Mariano, que assina um texto que acompanha o programa do recital.

Intitulado “De la musique avant toute chose”, o recital, na quarta-feira à noite, no Palácio da Vila, no âmbito do 54.º Festival de Sintra, conta com canções de Gustave Charpentier, Claude Debussy, Camille Saint-Saens, Reinaldo Hahn, Edgar Varèse, Ernest Chausson, Jules Massenet, Fritz Delius, Maurice Ravel e Francesco Paolo Tosti.

Do programa constam ainda Charles Koechlin, que foi professor particular de Fernando Lopes-Graça, e os portugueses Alfredo Keil, autor do Hino Nacional, e António Fragoso, que, com “meros 20 anos”, escolheu “para musicar os cinco ‘Poèmes saturniens’, baseando-se, como o título indica, na coleção de poemas com que Verlaine se estreou literariamente, em 1866", compondo "Sérénade" e "Les coquillages", que constituem "testemunhos de um músico muito sensível à música francesa do seu tempo, um admirador sem reservas de Debussy e de Ravel”.

“Em Tomar, Alfredo Keil escreveu ‘Un grand sommeil noir’ (em Lá menor), poema que atraiu numerosos compositores (Honegger, Stravinsky, Nadia Boulanger, Jolivet, Varèse ou Ravel, entre os mais conhecidos). Na versão de Keil, sobressai o cuidado posto no controle dinâmico, a escrita mais cromática da parte central, assim como a sensibilidade particular que revela para com certas palavras do poema”, realça Mariano.

O recital é protagonizado pelo tenor Marco Alves dos Santos, os violinistas José João Fernandes Pereira e Filipa Poejo, a violoncelista Irene Lima, a violetista Joana Tavares e a contrabaixista Margarida Pereira, sob a direcção de João Paulo Santos, que estará ao piano.

O 54.º Festival de Sintra, sob o lema “Da Corte às Ruas”, prolonga-se até ao próximo dia 1 de outubro.

Apresentou já onze concertos em diferentes espaços deste concelho, nos arredores de Lisboa, visando apresentar “as contaminações entre o Velho Mundo e as sucessivas novas práticas sociais que acompanharam as mudanças para a modernidade, através do rasto que foram deixando nas artes e na música”, segundo nota da organização do certame.

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