A estreia de “Fake” decorre no âmbito da Rede Eunice Ageas, a qual o Centro Cultural do Cartaxo (CCC) integra até 2022, depois de ter sido selecionado, pelo Teatro Nacional D. Maria II (TNDMII), entre 19 candidatos de todo o país, para ser um dos quatro espaços culturais a receber peças do TNDMII, afirma uma nota do município cartaxense.

Marcado para as 21:30 de sábado no CCC, o espetáculo “explora as tensões entre verdade e mentira, informação e desinformação, crenças individuais, coletivas e a propensão de cada um para acreditar nos preconceitos que carrega”, afirma a nota.

A peça, que tem como protagonista uma escritora de romances policiais, Norma B., acusada da morte do marido, chegou a ter estreia anunciada para o passado dia 19 de março, no TNDMII, em Lisboa, mas a declaração do estado de emergência devido à COVID-19 obrigou ao cancelamento de toda a programação.

O reagendamento dos cerca de 20 espetáculos que estiveram programados para o período de março a julho, “empurrou” a exibição de “Fake” na Sala Garrett do TNDMII para 03 a 20 de dezembro próximo, com espetáculos à quarta-feira e sábado, às 19:00, às quintas e sextas, às 21:00, e, aos domingos, às 16:00.

No dia 13 de dezembro haverá uma sessão em Língua Gestual Portuguesa e, depois, uma conversa com o público enquanto a última récita terá audiodescrição, segundo informação disponibilizada pelo TNDMII.

Depois da estreia no Cartaxo, sábado, a peça passará pelos teatros municipais de Bragança, no dia 23 de outubro, e de Portimão, a 6 de novembro, e pelo Centro de Artes do Espetáculo de Portalegre, a 16 de janeiro de 2021.

Partindo do tema das 'fake news', da fabricação da verdade, das tensões entre a verdade e a mentira e da informação e desinformação, este texto de Inês Barahona e Miguel Fragata pretende colocar a questão sobre o que acontece quando o teatro invade a realidade, disse Miguel Fragata à agência Lusa.

A vontade de trabalhar o tema das 'fake news' e da grande dificuldade em destrinçar a verdade da mentira, levou a dupla de artistas a fazer uma reflexão sobre estas fronteiras, de modo a que "fosse um bocadinho mais abrangente e pudesse também pôr em diálogo ou pôr em questão as próprias convenções do teatro", acrescentou Miguel Fragata.

"O teatro, por definição, é o lugar da mentira, o lugar para onde nós convergimos de livre vontade com um bilhete na mão para ir assistir", frisou o também responsável pela encenação.

Por isso, a dupla tentou averiguar de que forma é que esse movimento "pode ser também uma espécie de metáfora para aquilo que se passa hoje em dia no mundo com a informação que recebemos, com a mentira espalhada por todo o lado", disse.

Até porque, como advertiu o autor e encenador, "no mundo real não temos um bilhete que nos proteja da mentira". Ou seja, "não sabemos quando é que um espetáculo acaba. E o teatro dá-nos essa segurança, porque o jogo dos atores assenta precisamente nisso".

Assim, ao longo da presença da peça em cartaz, cada noite há uma atriz nova a representar o papel da protagonista: Beatriz Batarda, Sandra Faleiro e Teresa Madruga.

"Nunca sabemos quem vem, qual delas vem e elas vão-se revezando entre si as três. E, para obterem o papel de protagonistas, são submetidas a um 'casting' durante a peça", explicou ainda Miguel Fragata.

A peça conta com interpretação de Anabela Almeida, Carla Galvão, Duarte Guimarães e João Monteiro, e a participação especial de Beatriz Batarda ou Sandra Faleiro.

No vídeo, da autoria de Tiago Guedes, a interpretação é de Beatriz Batarda, Cirila Bossuet, Isabel Abreu, Madalena Almeida, Márcia Breia, Miguel Fragata, Sandra Faleiro, Sílvia Filipe, Teresa Madruga, entre outros.

O espetáculo tem música de Hélder Gonçalves, cenografia de Henrique Ralheta, figurinos de José António Tenente, desenho de luz de Rui Monteiro, desenho de som de Nelson Carvalho, direção técnica de Cláudia Rodrigues e operação vídeo de Bernardo Santos e Francisco Romão, numa produção Formiga Atómica / Clara Antunes e Luna Rebelo e coprodução TNDMII, TNSJ, Cine-Teatro Louletano, Formiga Atómica.

Segundo a Câmara do Cartaxo, este ano o CCC deveria ter recebido três peças do Teatro Nacional – “Um outro Fim para a Menina Júlia”, que aconteceu em janeiro, “Antígona”, que esteve agendada para o mês de março mas acabou por não subir ao palco por causa da pandemia da covid-19, e “Fake”, que estreia agora.

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