De "Showbiz" (1999) a "Drones" (2015); da banda alternativa de culto à banda de estádios; do rock alternativo aos hinos épicos; das comparações com Radiohead às comparações com Queen, ao longo de quase vinte anos, os Muse têm explorado novas metáforas e renovam-se de riffs mais ou menos arrebatadores, mais ou menos melódicos, mas cada vez mais políticos. Se é ao vivo que a banda prova quem é, a oportunidade de os ver novamente numa sala fechada, há muito desejada pelos fãs nacionais, trazia a promessa de um concerto único. E não desiludiu!
Com um palco giratório no centro da arena, a banda de Matthew Bellamy, Christopher Wolstenholme e Dominic Howard amplifica a experiência cénica e a percepção visual do espetáculo, com contornos quase sci-fi. Com o apagar das luzes, leu-se no ecrã central “drones, drones, drones” e lentamente desceram algums robots de luz que se organizaram no palco quase como se os planetas se alinhassem para receber o trio. Os primeiros acordes de “Psycho” iniciaram a estética que caracterizou todo o concerto. Jogos de luz, projeções em telas que ganhavam vida, uma cuidadosa realização das imagens transmitidas pelos ecrãs, balões, chuva de confetti e até um avião a sobrevoar a plateia, trazendo à memória os concertos de “The Wall”, dos Pink Floyd.
Sem surpresas maiores no alinhamento, tirando talvez “Apocalypse Please“, à semelhança do concerto na edição do ano passado do festival NOS Alive, o público revela a ainda dificuldade em superar o frenesism adolescente com que recebe “Plug In Baby”, “Supermassive Black Hole”, “Starlight”, “Time Is Running Out”, ou até de “Madness”, perante a controlada recepção com que abraça “Reapers”, “Mercy” ou “The Globalist”, estas do mais recente álbum, de 2015, “Drones”, que dá o mote a esta digressão. E “Knights of Cydonia”, aquela que também encerra “Black Holes and Revelations” - ditando a despedida, em jeito de hino, desde o seu lançamento, em 2006 -, que nos diz que o destino somos nós que o fazemos. Esta é a mensagem dos Muse.
Alinhamento:
Psycho
Reapers
Plug In Baby
Dead Inside
The 2nd Law: Isolated System
The Handler
Supermassive Black Hole
Prelude
Starlight
Apocalypse Please
Munich Jam
Map of the Problematique
JFK
Interlude
Hysteria
Time Is Running Out
Uprising
The Globalist
Encore:
Take a Bow
Mercy
Knights of Cydonia
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