Noite gelada em Cascais para receber Norah Jones. Antes dela a trompetista Jéssica Pina, que se tinha apresentado no primeiro dia do festival, voltou a agradar ao público que cercava o pequeno palco das Cascais Jazz Sessions – destinado aos jovens talentos. Prometeu um álbum para breve e encerrou com “Headhunters”, o clássico de Herbie Hancock.

Já no palco principal o português Benjamim começou por agradar com um rock simples e evocativo para se pôr na estrada, exagerando um pouco no final ao forçar a interação com o público.

Foi a fornecer um contraste a essa atitude que Norah Jones deu o tom do seu espetáculo: severo, sem grandes vénias, sem facilitismos. O quarteto, com a cantora ao piano e músicos que a acompanham há anos (Chris Thomas no contrabaixo, Brian Blade na bateria, Pete Hemm no órgão), entra em cena para um registo essencialmente intimista. Nem sempre será adequado para os amplos espaços de um festival – especialmente na ala “vip” dos convidados, frequentada por gente que se enganou no caminho para a Marina.

“My Heart Is Full” fez as honras de abertura. O single foi lançado em junho e está previsto para figurar num álbum a ser lançado ainda em 2018 e no qual deve entrar também a novíssima “It Was You”, tocada a meio do concerto.

Norah Jones
créditos: SAPO Mag/ Gonçalo Soares

Iniciados os trabalhos, dá-se a primeira incursão pelo mais famoso registo de Jones – o multiplatinado “Come Away with Me”, de 2002. “Nightingale” é a canção escolhida – após a qual surge o primeiro “obrigada”, sem sotaque, única palavra que Jones ocasionalmente dirigirá ao público para além de apresentar por duas vezes os seus músicos.

Do primeiro álbum saem ainda “Cold Cold Heart” e hits dos mais reconhecíveis – como a faixa-título e, para o encore final, “I’ve Got to See You Again” e “Don’t Know Why”. Mas, tal como “Sunrise”, as versões não apelam aos aplausos fáceis: esta última, faixa de abertura do seu segundo trabalho, “Feels Like Home”, surge com o ritmo do original, dado pelo contrabaixo, substituído pelo protagonismo do piano de Jones – o que lhe tira o apelo pop para o remeter ao registo do concerto. Quer isso dizer que, se a cantora se celebrizou pelo que se chamou de jazz pop, aqui o primeiro item prevalece completamente.

Do belíssimo trabalho dela com Danger Mouse, “Little Broken Hearts”, lançado em 2012, surgem “After the Fall”, numa versão cortante, e “Out on the Road”, novamente sem a pegada rock do original. Da colaboração com Mouse há ainda “Black” – trabalho que figurou no álbum “Rome”, de 2011, onde o produtor norte-americano fazia uma parceria com o italiano Daniele Luppi.

Do último álbum, “Daybreaks”, de 2016, Norah Jones trouxe “Flipside” e, para encerrar a primeira parte, “Carry On”. A estas alturas o vento tornava-se gélido mas os corações, presença recorrente nas letras de Norah Jones, estavam aquecidos. Ou, pelo menos, daqueles que não estavam à espera de pop…

Fotos: Gonçalo Soares

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