De caráter itinerante, o festival tem, este ano, como país convidado a República Checa e projeta concertos, conferências temáticas, espaços de pedagogia artística, ‘masterclasses’, visitas guiadas e iniciativas de salvaguarda dos recursos da biodiversidade, sendo todas as atividades - mais de mais centena - com entrada livre.

Um dos destaques da edição deste ano é um núcleo programático pensado para as crianças, o “Kids Terras sem Sombra, com o objetivo de reunir as famílias em torno da música e dos patrimónios artístico e natural”, explicou à agência Lusa a diretora executiva do certame, Sara Fonseca, realçando “a firme vontade de partilhar e projetar o legado cultural e natural do Alentejo” e “o interesse em criar novos públicos”, referindo o papel que desempenha na “descentralização cultural”.

Este ano estão programados 18 concertos, que abarcam um amplo repertório musical desde a Idade Média até à atualidade, e o festival vai acontecer em Vidigueira, Barrancos, Mértola, Arraiolos, Viana do Alentejo, Beja, Ferreira do Alentejo, Castelo de Vide, Sines, Alter do Chão, Santiago do Cacém e Odemira, mais três concelhos que no ano passado.

Do cartaz fazem parte o Tiburtina Ensemble, o violoncelista Pedro Bonet, o contratenor José Hernández Pastor, a flautista Monika Streitová e a pianista Ana Telles, que vão interpretar obras de compositoras para Flauta e Piano, o ensemble La Ritirata, o Kállai String Quartet, a soprano Andión Fernandez acompanhada pelo pianista Alberto Urroz, o grupo vocal Utopia Ensemble, o Clarinet Factory, e o ensemble Cupertinos, que apresentam o concerto “Salve Regina: O Culto de Maria na Obra de D. Pedro de Cristo”.

Este ano a programação inclui um “concerto-surpresa”, no dia 13 de junho, num "lugar-surpresa" e a "uma hora-surpresa".

Segundo fonte da organização, a ideia é conjugar a tradição dos Santos Populares com o Solstício de verão, “uma ideia promissora, naquilo que será Um jogo entre a expectativa, o imaginado e aquela que será a efetiva concretização”.

Do cartaz fazem ainda parte o Smetana Trio, fundado em 1934 pelo pianista Josef Pálenícek, pelo violinista Alexandr Plocek e pelo violoncelista František Smetana, e a Orquestra Barroca Musica Florea que apresenta um concerto de música dos séculos XVII e XVIII, intitulado “Deus, Pátria, Rei: A Música da Era Barroca em Praga”.

A par da programação musical, o festival projeta um conjunto de visitas guiadas por peritos a vertentes pouco conhecidas do património material e imaterial e de sensibilização sobre as vantagens de preservação da biodiversidade.

Este ano, entre outras, está previsto uma visita ao Sítio Arqueológico romano de São Cucufate, na Vidigueira, um encontro sobre o barranquenho, “a língua – não oficial – da zona raiana de Barrancos”, uma visita sobre o legado islâmico em Mértola, um encontro sobre os Tapetes de Arraiolos, outro sobre o Chocalho e a Arte Chocalheira, entre outros que vão atravessar as memórias judaicas de Castelo de Vide, a cestaria em Odivelas, no concelho de Ferreira do Alentejo, as artes tradicionais da pesca, em Sines, a Coudelaria de Alter, o sítio arqueológico de Miróbriga (Santiago do Cacém) ou o Forte de São Clemente, em Vila Nova de Milfontes.

No âmbito da valorização do património natural, a edição do Terras sem Sombra deste ano vai efetuar ações de salvaguarda ‘in situ’ nos laranjais da Vidigueira, no rio Ardila, que nasce em Espanha e desagua na margem esquerda do rio Guadiana, próximo de Moura, uma iniciativa de sensibilização sobre agricultura sustentável em Mértola e outra sobre a proteção da raça bovina Garvonesa ou Chamusca, na Herdade da Mata, em Alcáçovas, que desde 1994 a tem preservado.

O uso alimentar da bolota colhida nos montados de Arraiolos, a produção artesanal da cal, na freguesia de Trigaches, em Beja, as redes funcionais da biodiversidade de Ferreira do Alentejo, a Serra de São Mamede, os peixes, moluscos e crustáceos, o cavalo Lusitano e o uso da salada na dieta mediterrânica são outros temas abordados nesta edição do Terras Sem Sombra.

O festival é apresentado hoje na Academia das Ciências de Lisboa, instituição fundada por duas figuras ligadas ao Alentejo: o abade Correia da Serra e João Carlos de Bragança e Ligne de Sousa Tavares Mascarenhas da Silva, 2.º duque de Lafões.

O festival é organizado pela associação Pedra Angular, com múltiplas parcerias, que viu a Direção-Geral das Artes atribuir-lhe um apoio de 137,5 mil euros para 2020 e 2021 no âmbito do programa de apoio sustentado bienal, na área da programação.

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