Em declarações à agência Lusa, o músico afirmou que este álbum "explora o universo do fado a partir do piano" introduzindo o género na linguagem musical do jazz.

"Foi um desafio, e eu gosto de desafios, de romper fronteiras", disse Resende.

"A ideia foi conciliar o jazz e o fado com uma banda", afirmou, referindo que o seu propósito foi "pintar um quadro musical com a cores da guitarra portuguesa, do piano e do contrabaixo".

Eminentemente instrumental, o disco inclui uma canção, "Profecia", com letra de Resende, "algo raro", interpretada por Lina Rodrigues, cantora que faz duo com Raül Refree num projeto que junta o fado e a eletrónica.

Esta não é a primeira aproximação de Resende ao fado. Em 2013, o músico, baseando-se em alguns dos temas do repertório de Amália Rodrigues (1920-1999), gravou o álbum "Amália por Resende", ao qual sucedeu "Fado & Further", que foi gravado ao vivo durante os concertos que realizou entre 2014 e 2015.

Este disco conta com a participação da cantora espanhola Sílvia Pérez Cruz que Resende acompanhou num concerto na Fundação Gulbenkian, em Lisboa.

O músico disse que tem recebido "uma boa reação das pessoas do fado".

No início deste mês, o pianista atuou no palco principal do festival de fado Santa Casa Alfama, em Lisboa.

O pianista referiu que é "surpreendente" esta atitude do meio fadista que qualificou como "gente atenta e disponível, de mentes abertas", não deixando de notar pontos de contacto entre o jazz e o fado, nomeadamente na sua génese. "Ambos vêm de meios socais desfavorecidos e crescem em espaços fechados, clubes ou tabernas", e referiu as guitarradas como um dos pontos musicais similares.

Por outro lado, o piano não é um instrumento alheio ao fado. No século XIX era corrente os "fados ao piano". Alexandre Rey Colaço (1854-1928) compôs alguns fados para piano. Em 1969, Amália Rodrigues incluiu o piano de Alain Oulman (1928-19990) no seu álbum seminal "Com que Voz".

Júlio Resende, natural de Faro, mas que cresceu na vizinha cidade de Olhão, começou a tocar piano aos 4 anos. Conta já com sete álbuns editados, num percurso iniciado no jazz e com passagens pelo fado e pelo pop-rock eletrónico.

O álbum "Júlio Resende Fado Jazz Ensemble" sucede a "Cinderella Cyborg" (2019), um encontro do piano, da bateria e do contrabaixo com os sons eletrónicos dos 'pads' e 'chips'.

Anteriormente tinha editado, em 2017, com Salvador Sobral, um disco a partir da poesia em língua inglesa de Fernando Pessoa (1888-1935) com uma banda de pop-rock eletrónico à qual deu o nome de Alexander Search, um dos pseudónimos do poeta.

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