Tanto no teatro como no cinema, a norte-americana
Patricia Neal brilhou em papéis de mulher forte entre o final da década de 40 e meados da década de 60, quando três derrames cerebrais a impossibilitaram de trabalhar durante três anos. A partir daí, voltou esporadicamente à actuação, mas a sua saúde nunca lhe permitiu a entrega de outrora. A actriz faleceu domingo, 8 de Agosto, vítima de cancro do pulmão.

Neal nasceu no Kentucky em 1926 e estudou Drama na Northwestern University. A sua primeira paixão foi o teatro conquistando logo um Tony no primeiro ano em que os prémios foram atribuídos, por
«Another Part of the Forest», de Lillian Hellman. Em 1949, estreou-se no cinema com
«Cupido faz das Suas», ao lado de
Ronald Reagan, mas seria o seu filme seguinte, ainda do mesmo ano, a valer-lhe a popularidade:
«Vontade Indómita», de
King Vidor, com
Gary Cooper no papel do arquitecto que luta para manter a sua integridade artística.

Um ano depois voltou a contracenar com Cooper em
«Fumos da Ambição», tendo mantido uma relação amorosa com o actor, casado e 25 anos mais velho que ela, que terminaria em 1952 por grande pressão da família dele com a actriz a sofrer um esgotamento nervoso. Por essa altura, trabalhou ainda com
John Garfield em
«À Sombra do Mal»,
John Wayne em
«Heróis do Pacífico» e
Tyrone Power em
«Correio Diplomático» mas o seu filme mais memorável foi então a fábula de ficção científica
«O Dia em que a Terra Parou», de Robert Wise. Em 1953 casou com o romancista
Roald Dahl, de quem se divorciaria trinta anos depois.

Regressou depois à Broadway, onde fez várias peças de prestígio, fez alguma televisão e regressou ao cinema em 1957 com um excelente papel,
«Um Rosto na Multidão», de
Elia Kazan, voltando a brilhar no grande ecrã em 1961, num papel secundário ao lado de
Audrey Hepburn no icónico
«Boneca de Luxo». O seu maior triunfo deu-se em 1963 a contracenar com
Paul Newman em
«Hud - O Mais Selvagem entre Mil», que lhe valeu o Óscar de Melhor Actriz e uma chuva de outros prémios.

Infelizmente, em 1965, após rodar
«A Primeira Vitória» para
Otto Preminger, Neal sofreu três derrames cerebrais e teve de reaprender a andar e a falar, tendo-se visto obrigada a recusar o papel principal de
«A Primeira Noite» (1967) e só regressando ao cinema em 1968, com
«O Assunto era Rosas», pelo qual foi nomeada ao Óscar de Melhor Actriz.

Mesmo assim, a sua carreira a partir daí definhou, ficando limitada a pequenos papéis televisivos e cinematográficos, até pelo receio que os produtores tinham de que a sua doença pudesse colocar em risco as rodagens. A actriz também passou a dedicar-se mais à família até porque, teve cinco filhos com Dahl, tendo um deles falecido com sarampo em 1962 e outro tido uma deficiência cerebral na sequência de um acidente de viação.

Os seus regressos à actuação foram muito pontuais, tendo surgido pela última vez nos ecrãs portugueses num pequeno papel em
«Quem Matou Cookie?» (1999), de
Robert Altman.

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