«Qual é o melhor «Padrinho»?».

O tema alimenta as discussões de apaixonados pelo cinema há 40 anos, quando estreou, a 12 de dezembro de 1974, «O Padrinho - Parte II».

Ainda que o debate continue para a eternidade, surgiu agora uma nova opinião, de alguém intimamente ligado à saga dos Corleone. De facto, é o elemento mais próximo: o líder da família, Michael Corleone.

Confessando que lhe é mais fácil falar sobre os filmes agora, com a distância do tempo, para surpresa de muitos, Al Pacino não fugiu e respondeu à pergunta.

Após elogiar o retrato da experiência italo-americana do segundo filme e considerá-lo «mais ponderado», o ator de 74 anos elegeu o original, «O Padrinho» (1972). como o seu preferido.

«É inesquecível a partir do momento em que começa. É difícil competir com ele. E no final acho que é o que tem mais entretenimento. Pela história, aquela história é tão boa, a original do [escritor] Mario Puzo. Em parte, «O Padrinho - Parte II» não existe sem o primeiro. Mas acho que esse é mais pessoal para o Francis [Ford Coppola]».

Questionado sobre o que torna tão bom o filme, Pacino refletiu: «Suponho que é conjunto de elementos que se juntam. Vi-o há uns anos e recordo-me de ter pensado «Aqui está. Começa e está este tipo a falar sobre «Acredito na América» e está a falar para alguém e depois começa a falar sobre o que aconteceu - o que lhe fizeram e como ele não podia ir a lado nenhum - e o mundo ficou apanhado porque é assim que nos sentimos, nós sentimos a injustiça das coisas... Quando o vemos, é difícil parar de o fazer».

«O Padrinho» foi um grande sucesso internacional que lançou as carreiras de vários atores e viria a ser distinguido com o Óscar para Melhor Filme, o que torna uma grande ironia outra revelação. Na noite de convívio após a rodagem da cena do casamento no início do filme, Pacino e Diane Keaton, que fazia de sua noiva, não podiam sentir-se piores: «Achávamos que o filme era tão mau e que nós éramos as piores coisas nele. Achámos que íamos ser despedidos».