O primeiro Festival de Cannes em tempos de pandemia começou esta terça-feira (6), comemorando o regresso do cinema àos ecrãs e com uma passadeira vermelha cheio de estrelas sem máscaras.

Figuras do cinema mundial como Pedro Almodóvar, Andie MacDowell, Jessica Chastain, Helen Mirren e Spike Lee compareceram à cerimónia de abertura do concurso, que não pôde ser realizada no ano passado devido à COVID-19.

Apesar das rígidas condições sanitárias impostas aos participantes, as estrelas puderam posar à frente das câmaras sem máscaras.

"É importante voltar ao Festival e poder celebrar o cinema no grande ecrã", disse Almodóvar em Cannes, dois anos depois de competir pela sexta vez pela Palma de Ouro com o seu filme autobiográfico "Dor e glória".

O realizador espanhol foi o encarregado de entregar a Palma de Ouro de Honra a Jodie Foster, 45 anos após a atriz e realizadora norte-americana pisar pela primeira vez Cannes com o filme "Taxi Driver", de Martin Scorsese.

"Quem diria que aquela rapariga se tornaria a artista excecional que é agora”, salientou Almodóvar.

Usando um vestido branco elegante com detalhes metálicos, Foster mostrou o seu “orgulho por pertencer à comunidade cinematográfica” e também comemorou o regresso da maior competição cinematográfica do mundo.

"Muitos de nós passámos um ano trancados nas nossas pequenas bolhas, outros confrontando o sofrimento e a angústia [...]. E aqui estamos por fim reunidos, com os nossos lindos vestidos", disse Jodie Foster, num francês perfeito, minutos antes de receber a Palma de Ouro Honorária das mãos de Almodóvar.

"Durante este ano de transição, o cinema foi o meu salva-vidas", acrescentou.

"O cinema está aí para fazer sentir, conectar, transformar", afirmou a atriz e ralizadora, que foi à cerimónia com sua companheira, a fotógrafa Alexandra Hedison.

Uma generosa dose de cinema

A Palma de Ouro será disputada por cineastas de renome, como o americano Wes Anderson, o holandês Paul Verhoeven, o iraniano Asghar Farhadi e realizadores que já receberam o prémio máximo em Cannes, como o italiano Nanni Moretti e o tailandês Apichatpong Weerasethakul.

O festival deseja recuperar o tempo perdido no ano passado: 24 filmes, rodados antes e durante a pandemia, estão na mostra oficial - o maior número dos últimos anos, embora a América Latina tenha ficado de fora.

O evento começou com o primeiro filme em inglês do francês Leos Carax, "Annette", um musical com o americano Adam Driver e a francesa Marion Cotillard.

Os dois atores interpretam um casal de artistas glamourosos até que tudo muda, num enredo ambientado nos tempos de #MeToo e com música do grupo californiano Sparks.

O pulso das mulheres do júri

Antes de começar, Spike Lee deu um caráter político ao festival.

Segundo ele, o júri não deve "criticar apenas os filmes, mas também o mundo" e os "gangsters" que o "governam", citando Donald Trump, o brasileiro Jair Bolsonaro e o russo Vladimir Putin. Ele também lamentou que no seu país os negros continuem a ser "caçados como animais".

Na tradicional conferência de imprensa coletiva do júri, outros membros foram combativos, como o brasileiro Kleber Mendonça Filho. O realizador de "Bacurau" defendeu que uma das formas de "resistir" é divulgar os problemas de cada país. No seu caso, denunciou "o encerramento da Cinemateca Brasileira há mais de um ano", uma "forma muito clara de reprimir a cultura e o cinema".

As mulheres, que são maioria no júri, exigiram da sua parte mais igualdade no setor, lembrando que apenas uma delas, Jane Campion, conquistou a Palma de Ouro em toda a história do Festival por "O Piano", em 1993.

"Mesmo dentro de uma cultura tão masculina, fazemos filmes diferentes, explicamos as histórias de uma maneira diferente. Vamos ver o que acontece" com um júri de cinco mulheres e quatro homens, disse a atriz americana Maggie Gyllenhaal.

Embora as celebridades tenham posado para as câmaras sem máscaras, a organização do festival estabeleceu rigorosas condições de acesso. Europeus vacinados, ou com imunidade natural, devem apresentar o documento de saúde reconhecido pela UE, enquanto os demais participantes devem ser submetidos a um teste de PCR a cada 48 horas. As salas não terão, no entanto, limite de capacidade.

VEJA AS IMAGENS DO REGRESSO DA PASSADEIRA VERMELHA.

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