«Meia-Noite em Paris» foi escrito ao contrário. Primeiro veio o título e foi em cima disso que Woody Allen escreveu o argumento. O nome da cidade logo à cabeça não mente: o filme é uma carta de amor a Paris.

Além da viagem num espaço, o filme é uma incursão por um outro tempo. Todas as noites, no bater das doze badaladas, Gil Pender ( Owen Wilson) entra num carro que o leva até outras épocas. Primeiro para os loucos anos 20, onde se cruza com F. Scott Fitzgerald ou Ernest Hemingway, depois ao século XIX, até à «Belle Époque», onde encontra Degas ou Gauguin, num retrato do mito que todos criamos sobre a época em que gostávamos de ter vivido.

É a melhor fita de Allen da última década, tem um arraial de bons atores a fazer as vezes de figuras incontornáveis e um argumento vencedor de um Óscar com um humor e um nível de detalhe que só a estranha mente de Woody Allen nos podia trazer.


Inês Gens Mendes
Revista Metropolis