Foi a partir de Cancún, no México, via webchat, que Adam Sandler, Michelle Monaghan, Kevin James e Josh Gad falaram connosco. Conversaram com Portugal e com um grupo de jornalistas de vários países à distância de um monitor.

A conversa foi sobre "Pixels", o filme de Chris Columbus que esta quinta-feira chega ao grande ecrã e que põe personagens de videojogos como Pacman ou Donkey Kong a dar cabo da Terra. Os quatro atores são os heróis do filme e as suas personagens especialistas em videojogos que vão tentar inverter o destino do nosso planeta.

Claro que ter os quatro na mesma sala à conversa com tantos jornalistas de todo o mundo só podia dar em gargalhadas. Mas nós tentámos ser sérios e saber tudo sobre o filme...

Todos estes videojogos retro como Pacman ou Donkey Kong foram grandes sucessos nos anos 80 e serão certamente mais reconhecidos pela geração que os jogou. Como é que acham que o público mais jovem vai reagir ao filme?

Josh Gad (J.G.): Eu não respondo a perguntas pessoais...(risos) Penso que o Pacman e todos esses jogos ainda são muito relevantes. Há uma simplicidade nestes jogos em que somos apenas uma cabeça amarela a perseguir um grupo de fantasmas em vez de conduzirmos em ruas de uma cidade, como no Grand Theft Auto, o que, mesmo sendo um homem de 34 anos, ainda me confunde. Acho que há uma universalidade em todos estes jogos que penso que chega a todas as gerações.

Adam Sandler (A. S.): Sim, o Pacman ainda é muito popular. No final de cada visionamento perguntam às pessoas o que acharam de cada personagem. As nossas personagens reúnem opiniões positivas mas o Pacman está sempre a 100%. Todas as faixas etárias adoram o Pacman.

Kevin James (K.J.): É por isso que vou fazer o meu próximo filme com o Pacman.

(A. S.): Trabalhámos neste filme durante muito tempo e, a cada quatro ou cinco meses, diziam-nos que uma personagem nova ia entrar: primeiro o Pacman, depois o Donkey Kong e depois o Centipede e o Tetris. Conseguimos ter todos os gigantes dos videojogos dos anos 80 e nunca pensámos que seria possível porque eram todos de empresas diferentes.

O que vos fez escolher fazer o filme?

(M.M.): Quando li o guião não consegui parar até chegar ao fim. Nunca tinha feito parte de algo assim, tão divertido e com esta dimensão. Era algo que identificava da minha infância porque costumava ir aos salões de jogos e jogava Skee-Ball e Pacman. Ver isso aplicado a esta geração de uma forma tão divertida e poder fazê-lo com estes tipos deixou-me muito entusiasmada. Conheço o Adam há muito tempo e este foi o projeto perfeito para trabalharmos juntos.

(J.G.): Eu escolhi fazê-lo porque não tinha outras propostas de trabalho na altura (risos). Foi a primeira coisa que me apareceu e eu estava desesperado. Tinha feito más apostas, perdi dinheiro e o Sandler disse-me “tenho um filme que te pode safar, amigo” (risos).

Na verdade, foram todos os componentes criativos que me atraíram. Não há filmes de imagem real que eu possa ir ver com os meus filhos. São raros e o “Pixels” é um desses filmes que posso ir ver com a minha filha. Posso partilhar isso com ela.

(A. S.): É tão bom como o “Frozen”.

(J.G.): Nada é tão bom como o “Frozen”, Adam, tu sabes isso. Mas é tão bom como a curta-metragem do “Frozen”.

(A. S.): Pronto, está bem. Isso chega.

Quais eram os vossos videojogos favoritos quando eram mais novos?

Michelle Monaghan (M.M.): O Pacman, o Pole Position. Adorava o Pole Position.

(A. S.): Esse é bom. Eu gostava de todos, não tinha um favorito. De cada vez que saía um novo, passava a ser o meu preferido.

(K.J.): Michelle, sabes qual é o meu preferido, não sabes?

(M.M.): O Space Bug.

(K.J.): Não, o Super Bug.

(M.M.): Oh, o Super Bug (risos).

(J.G.): Os meus preferidos eram o Donkey Kong e o Pacman mas também adoro Tetris. Costumava levar o meu Game Boy às escondidas para as aulas e jogar. Foi por isso que chumbei.

Têm receio da reação das pessoas quando virem os seus heróis dos videojogos retratados como vilões?

(A. S.): Sim, há algum medo. Já não durmo há 130 horas. Não páro de pensar “espero que eles não se importem que...”. Faz tudo sentido no filme: os extraterrestres invadem-nos, envenenam estas doces personagens e, quando damos por isso, temos de os destruir.

Têm saudades dos anos 80?

(J.G.): Havia uma inocência nos anos 80 de que sinto falta. E acho que toda a gente sente falta dos filmes dos anos 80.

(K.J.): Nessa altura, ia ver-se um filme porque se queria ver um filme. Não pensávamos “como será que vai sair-se? Será que vai ser um grande sucesso?”. Não havia nada disso. Só pensávamos “parece fantástico”.

Como foi trabalhar com o Chris Columbus?

(A. S.): Ele é uma ótima pessoa, sempre a tentar tornar a nossa vida mais divertida e feliz e a pôr-nos à vontade. É um ótimo realizador e o filme tem muito bom aspeto.

(M.M.): Ele é como uma criança grande e aceitar algo com esta dimensão, que junta tantos géneros diferentes – ficção científica, ação, comédia...Não havia ninguém melhor para comandar o projeto e fazer-nos sentir tão confortáveis.

(J.G.): O filme é uma mistura de tudo o que faz o Chris Columbus tão icónico. Tem o tom dos “Gremlins” e dos “Goonies”. Tem a mesma dimensão do que ele fez nos filmes de “Harry Potter” mas com um orçamento mais pequeno.

Como foi ter o Peter Dinklage por perto na rodagem?

(A. S.): Ele e o Josh (Gad) viveram uma história de amor durante todo o tempo.

(M.M.): Um verdadeiro romance.

(J.G.): Eu sou de todos quem vê “A Guerra dos Tronos” religiosamente e, como filmámos perto do final da temporada da série, pude ver os três últimos episódios com ele. Foi muito bom poder ver o Tyrion Lannister a comentar as suas próprias cenas.

Hoje em dia, os jogos parecem-se muito com filmes e os filmes estão cada vez mais interativos. Os dois géneros estão cada vez mais a influenciar-se. Que impacto é que isso poderá ter no cinema?

(J.G.): Ainda bem que alguém perguntou isso. Acho que estamos a entrar numa nova fase de entretenimento imersivo. Já há salas de cinema que são como atrações, em que nos sentamos nas cadeiras e há vento a soprar e efeitos com água. Acho que é nessa fase que estamos a entrar. Acho que estamos tão habituados à interatividade que ela vai ser parte de uma experiência imersiva de ir ao cinema. Usei palavras caras suficientes para passar?

Para preparar as vossas personagens tiveram de jogar videojogos intensamente?

(A. S.): Sim, muito. A Michelle foi quem jogou mais (risos). Nós batíamos à porta dela para a chamarmos para a rodagem e ela dizia “agora não”.

(M.M.): Eu tinha uma máquina para trocar notas por moedas na minha caravana e tinha sempre uma moeda a postos.

(A. S.): Mas foi divertido jogar. Agora tenho um jogo do Pacman na minha casa. Não tinha antes.

(K.J.): E conhecemos o criador do Pacman...

(M.M.): O professor Toru Iwatani...

(A. S.): A Michelle fala japonês fluente.

(M.M.): Para!

(J.G.): Diz olá a Portugal em japonês.

(M.M.): Konichiwa, Portugal.

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