O realizador norte-americano Wes Anderson declarou-se fã de Luis Buñuel e revelou alguns detalhes sobre o seu próximo filme em entrevista à Agência France_Presse esta terça-feira em Cannes.

Questionado sobre que tipo de cinema gostava, Anderson afirmou que se interessava por "muitos tipos de filmes" e que durante o confinamento voltou para ver todos os filmes de Alfred Hitchcock, mas "volto sempre a Buñuel".

No dia anterior, o realizador foi aplaudido após a exibição oficial de "The French Dispatch", cujo elenco de luxo, que inclui Bill Murray, Tilda Swinton, Adrien Brody, Owen Wilson, Timothée Chalamet e Benicio del Toro, chegou de autocarro à passadeira vermelha.

Tilda Swinton, Timothée Chalamet, Wes Anderson e Adrien Brody

O filme, na corrida pela Palma de Ouro, é uma homenagem à França e ao jornalismo com a estética melancólica e sofisticada típica do cineasta. É composto por quatro capítulos e passa-se numa cidade francesa fictícia em meados do século XX.

Na entrevista, Anderson revelou detalhes sobre o seu próximo projeto, que será rodado na periferia de Madrid: “O que posso dizer é que é um filme espanhol, mas a história é americana e o papel principal do filme será interpretado por Jason Schwartzman", um dose seus atores preferidos para trabalhar ("Grand Budapest Hotel", "Moonrise Kingdom").

"Jason e eu trabalhamos juntos há muitos anos [...] e há muito tempo tenho o que creio que é um grande papel" para ele, acrescentou o realizador, vestindo um fato branco e meias vermelhas.

Sobre "The French Dispatch", Anderson disse que "era como fazer três ou quatro filmes". "Tinha que inventar, fazer o casting, tinha que fazer tudo. Cada vez que fazíamos uma nova história, havia muitos figurantes".

“Há muito esperava a oportunidade de fazer um filme inteiro aqui” na França, acrescentou. Isto permitiu-lhe "trabalhar com atores de que gosto e que não poderia contratar para papéis em inglês", acrescentou, citando Mathieu Amalric e Léa Seydoux.

“Mesmo que os meus filmes pareçam um pouco carregados e complexos às vezes, tudo que quero fazer é contar uma história de uma forma convencional”, continuou.

“Tenho os meus personagens, quero construir um mundo para eles e fazer com que o espectador entre nele”, resumiu.

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