O Festival de Cannes só acontecerá em maio, mas há iniciativas que decorrem em paralelo. O realizador Nuno Baltazar inicia, na próxima semana, uma "résidence" de quatro meses em Paris, para desenvolver o argumento da primeira longa-metragem, "Fronteira", depois de ter sido selecionado pelo Cinéfondation, ligado ao festival.

Esta residência, criada em 2000, destina-se a realizadores que estão a trabalhar em primeiras obras. Nuno Baltazar, 39 anos, é o primeiro realizador português a ser escolhido para esta iniciativa.

"Esta residência é um excelente cartão de visita para o filme. Durante os próximos quatro meses, cada um dos realizadores selecionados terá um acompanhamento personalizado e programas coletivos. Haverá reuniões com potenciais investidores e produtores e participação em mercados de filme e festivais", contou Nuno Baltazar à agência Lusa.

O realizador, que conta no currículo apenas com a curta "Doce Lar", está a preparar o argumento da primeira longa-metragem de ficção, intitulada "Fronteira", e decidiu candidatar-se a esta residência, em vez de procurar produtor e financiamento em Portugal.

A única vez que concorreu a um apoio do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), para fazer "Doce Lar", Nuno Baltazar embateu na falta de financiamento do organismo, em 2012, naquele que foi considerado o ano zero do cinema português.

Como não tem formação em cinema e currículo para conseguir financiamento por parte do ICA, Nuno Baltazar arriscou uma candidatura ao Cinéfoundation, por considerar que a residência é "uma rampa de lançamento" para o seu percurso como realizador.

"Em Portugal senti dificuldade em entrar no meio, com os produtores. É um micro cosmos em que é difícil entrar. Se queria mesmo que este filme ['Fronteira'] acontecesse, esta residência é uma porta de entrada", disse.

"Fronteira" contará a história de um cabo-verdiano que emigra para Portugal, onde encontra trabalho na construção civil. Por causa de um acidente no prédio, cuja construção acaba por ser embargada, e pela condição de emigrante ilegal, o protagonista acabará por ficar a viver no edifício em obras.

"Resumindo muito, a história é esta; explora o sentido da vida dele e do prédio, ambos em suspenso. Haverá filmagens em Cabo Verde e conto que haja também em Portugal, mas vai depender do produtor que encontrar", explicou.

A residência de Nuno Baltazar decorrerá em Paris, de 1 de março a 15 de julho, e incluirá uma presença no festival de Cannes, em maio. Além do realizador português foram selecionados os cineastas Gregorio Graziosi (Brasil), Ali Asgari (Irão), Federico Cecchetti (México), Omar El Zohairy (Egito) e Ivan Ikic (Sérvia).

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