Michael Oher, cuja história de vida inspiradora se tornou o tema do filme "Um Sonho Possível" (2009), que valeu o Óscar de Melhor Atriz a Sandra Bullock, está a processar o casal do Tennessee que o acolheu quando era adolescente.

A antiga estrela da NFL [a liga desportiva profissional de futebol americano dos EUA], com 37 anos, que venceu o Super Bowl com o Baltimore Ravens durante oito temporadas, alegou numa petição legal apresentada na segunda-feira que Leigh Anne Tuohy (interpretada por Bullock) e o seu marido Sean Tuohy (Tim McGraw no filme) o enganaram para que ele renunciasse ao controle dos seus assuntos financeiros.

Oher alega no processo que, em vez de ser legalmente adotado pelos Tuohys, como lhe foi dito, a família estabeleceu uma tutela que lhes permitiu lucrar com o seu nome.

O processo, que visa dissolver a tutela, acrescenta que os Tuohys usaram o seu controlo sobre os negócios de Oher para arrecadar milhões de dólares com o sucesso de "Um Sonho Possível".

O filme, que arrecadou mais de 300 milhões nas bilheteiras, baseado no livro de mesmo nome do jornalista Michael Lewis de 2006, traça a história de como Oher, que passou grande parte da sua juventude na pobreza e em lares adotivos, era acolhido pela família abastada dos Tuohy e iniciava uma carreira que culminaria na NFL.

No entanto, o processo de Oher diz que a premissa do filme – a sua adoção pelos Tuohy – é falsa.

“A mentira da adoção de Michael é aquela com a qual os co-conservadores Leigh Anne Tuohy e Sean Tuohy enriqueceram às custas do seu pupilo, o subscritor Michael Oher”, diz o documento legal.

"Para seu desgosto e constrangimento, o Michael Oher descobriu essa mentira em fevereiro de 2023, quando soube que a tutela a que deu consentimento com base no facto de que isso o tornaria um membro da família Tuohy, na verdade não lhe proporcionava qualquer relacionamento familiar com os Tuohys", acrescenta o texto.

"Desde pelo menos agosto de 2004 que os conservadores permitiram que Michael, especificamente, e o público em geral, acreditassem que o adotaram e usaram essa mentira para obter vantagens financeiras para si próprios e para as fundações que possuem ou nas quais exercem controlo, ", acrescenta a petição.

"É perturbador

Michael Oher em 2016

O processo visa dissolver a tutela dos Tuohys e impedi-los de usarem o seu nome e imagem.

Oher também procura receber uma parte dos lucros que afirma não ter recebido, além de danos financeiros e compensatórios.

Reagindo ao processo, Sean Tuohy disse que a sua família estava "arrasada" com as reivindicações.

"É perturbador pensar que ganharíamos dinheiro com qualquer um dos nossos filhos", disse Tuohy ao jornal Daily Memphian, no Tennessee.

"Mas vamos amar Michael aos 37, assim como o amávamos aos 16", salientou.

Tuohy, no entanto, admitiu a tutela sobre os negócios de Oher, mas disse que o acordo só foi feito de boa fé após aconselhamento jurídico. A mãe biológica de Oher compareceu à audiência para formalizar a tutela, acrescentou.

"Entramos em contacto com advogados que nos disseram que não poderíamos adotar maiores de 18 anos; a única coisa que poderíamos fazer era ter uma tutela", disse Tuohy.

"Estávamos tão preocupados com o que estava a acontecer que assegurámos que a mãe biológica fosse ao tribunal", recorda.

Tuohy também afirmou que a família ganhou pouco dinheiro com o sucesso do filme sobre a vida de Oher.

"Não ganhamos dinheiro com o filme", ​​disse Tuohy.

"Bem, (o autor) Michael Lewis deu-nos metade da sua parte. Todos na família receberam uma parte igual, incluindo o Michael. Foi cerca de 14 mil dólares cada" [cerca de 12820 euros, à cotação do dia], concluiu.

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