O mandato do grupo de projeto Portugal Film Commission (PFC) vai ser prolongado até dezembro deste ano, segundo uma resolução aprovada hoje em Conselho de Ministros.

A Portugal Film Commission foi criada em 2019, enquanto grupo de projeto destinado a "promover sinergias entre as indústrias criativas e o turismo", dar visibilidade ao destino Portugal "e à melhoria da experiência turística" e promover o país "como um destino internacional de produção de filmagens".

A estrutura de missão da PFC tinha uma duração de três anos - contando a partir de maio de 2019 até maio de 2022 -, mas o Governo aprovou hoje um prolongamento e uma alteração de competências.

Questionada pela Lusa, fonte oficial do Ministério da Cultura explicou que o prolongamento da missão é até dezembro próximo.

Quanto à alterações de competências, a mesma fonte indicou que o prolongamento "permitirá uma reflexão estratégica sobre o que deve ser o posicionamento de Portugal enquanto destino de filmagens de cinema e audiovisual, com evidentes contributos para a economia e sustentabilidade do turismo do país e, em particular, para a indústria do setor".

A Portugal Film Commission, que está na dependência conjunta das tutelas da Economia e da Cultura, é liderada por Manuel Claro, enquanto 'film commissioner', conta com direção executiva de Sandra Neves, e ambos manter-se-ão nos cargos até ao final do ano.

Em maio passado, fonte do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) revelava à Lusa que o Governo estava a preparar "uma solução" para responder à "enorme procura" de Portugal como destino de filmagens, porque já tinha esgotado o orçamento deste ano de incentivos fiscais a produções estrangeiras.

Segundo a mesma fonte, este ano houve 43 candidaturas a incentivos fiscais para filmagens em Portugal, no âmbito do Fundo de Apoio ao Turismo e ao Cinema (FATC), tendo já sido atingido o teto máximo de 12 milhões de euros orçamentados para 2022.

Este "número elevado" de candidaturas "demonstra o interesse por este mecanismo financeiro, aliado a um retomar da atividade do setor cinematográfico, em contraste com 2020 e 2021, anos de pandemia e consequente redução de rodagens".

Em causa está um mecanismo de financiamento recente, no âmbito do FATC que prevê incentivos às produtoras estrangeiras que queiram fazer filmes, séries ou outras obras audiovisuais em território português e com envolvimento de produtoras nacionais.

"Este mecanismo revelou-se um sucesso", sublinhou o ICA, referindo-se a um investimento global em Portugal no valor total de 171 milhões de euros para um valor total de incentivo atribuído de 46 milhões de euros.

Entre 2018 e 2021, o FATC recebeu 171 candidaturas na vertente do incentivo à produção cinematográfica e audiovisual.

Foram apoiadas produções como as séries "Operação Maré Negra" e "Crimes Submersos" ou os filmes "Frankie", de Ira Sachs, e "O homem que matou D. Quixote", de Terry Gilliam, o que representou o envolvimento de centenas de profissionais portugueses ligados ao setor.

Entre os projetos mais recentes anunciados para Portugal estão a quinta temporada da série "Casa de Papel", a série "Hasta el cielo" ou o filme "Damsel", a série "House of the Dragon" e os filmes "Heart of Stone", de Tom Harper, e "Velocidade Furiosa 10", de Louis Leterrier.

Em maio, semanas antes da produção de "Velocidade Furiosa 10" chegar a Portugal, a produtora portuguesa associada ao filme, Sofia Noronha, da Sagesse Productions, admitia à Lusa que a presença em território nacional representava "um investimento económico brutal no país".

"Portugal tem todas as condições para ser um grande sítio de filmagens, não só pelo tempo, pelos preços acessíveis e pela mão de obra, que somos todos bastante flexíveis, os portugueses aprendem muito rápido. Mas não tínhamos ainda este mercado aberto", disse.

Quando assumiu funções em maio de 2019, Manuel Claro disse à agência Lusa que a Portugal Film Commission teria três anos para definir um modelo de gestão e, ao mesmo tempo, promover o país como destino de filmagens, em ritmo "contrarrelógio" e "sem margem para erros".

Esta semana, em entrevista ao jornal Público, Manuel Claro reconheceu que Portugal está, neste campo, num "momento absolutamente decisivo".

"Entrámos com uma força gigante neste mercado altamente competitivo e estamos a ter resultados objetivamente muito bons. Este é o 'momento charneira' para discutir e decidir o que queremos em termos estratégicos para o país neste setor. Queremos continuar a ser competitivos?", perguntou.

A resolução de Conselho de Ministros é aprovada ainda num momento em que a tutela da Cultura ainda não apresentou publicamente o próximo plano estratégico para o cinema e audiovisual, tendo em conta que o anterior terminou em 2018.

Em janeiro deste ano, o então secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva, disse à Lusa que esse novo plano estratégico para o setor, a elaborar pelo ICA, estava "praticamente concluído", mas que só fazia sentido apresentá-lo no âmbito do executivo seguinte, ou seja, no atual Governo, cuja pasta da Cultura é assegurada por Pedro Adão e Silva.

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