Fonte ligada ao processo disse à agência Lusa que o edifício, com obras em curso, passará a albergar o ICA, que funciona há 40 anos no número 45 da Rua de São Pedro de Alcântara, em Lisboa. Contactada pela agência Lusa, a nova presidente do ICA, Filomena Serras Pereira, confirmou a mudança de instalações da entidade para as ex-instalações da Tobis, no Lumiar, adiantando que será realizada «brevemente».

A responsável - que substituiu esta semana José Pedro Ribeiro, na sequência do pedido de demissão aceite pelo secretário de Estado da Cultura - indicou ainda que o ICA se encontra nas atuais instalações, «na qualidade de arrendatário, desde 1973, ano da sua criação». «Esta mudança surge no âmbito de uma política de contenção de custos e de uma maior rentabilização do património do Estado», justificou a presidente do ICA.

A Tobis Portuguesa foi criada em 1932 com o objetivo de apoiar e fomentar o desenvolvimento do cinema português. A empresa, cujo capital era detido em 96,4 por cento pelo Estado, passou por mais de duas décadas de uma situação conturbada, financeiramente deficitária e progressivamente desativada.

Em fevereiro de 2012, as áreas de restauro e de pós-produção digital da Tobis Portuguesa foram vendidas à empresa de capitais angolanos Filmdrehtsich por cerca de quatro milhões de euros.

Desde então seguiu-se a saída dos 17 trabalhadores que ainda permaneciam na empresa, através de um processo de rescisão, por mútuo acordo ou por despedimento coletivo, cujo pagamento somou cerca de 1,2 milhões de euros, segundo divulgou, na altura, a Secretaria de Estado da Cultura.

Um ano depois da venda à Filmdrehtsich, o património fílmico e museológico, classificado pelo governo como Tesouro Nacional, foi transferido para o Arquivo Nacional de Imagens em Movimento (ANIM), pertencente à Cinemateca Portuguesa.
Entre esse património encontrava-se o laboratório analógico, que permite revelar filmes em película.

O material incluía máquinas de relevação e impressão de película, que foram colocadas nas instalações do ANIM, em Bucelas (Loures), e que a Cinemateca pretende utilizar.

Nos antigos estúdios da Tobis foram criados filmes históricos como «A Canção de Lisboa», realizado por Cottinelli Telmo (1933), «As Pupilas do Senhor Reitor», de Leitão de Barros (1935), e «O Pátio das Cantigas», produzido por António Lopes Ribeiro e realizado Francisco Ribeiro (1941).