O palmarés desta 16ª edição do certame foi hoje apresentado numa cerimónia de encerramento que decorreu na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge, em Lisboa, ao fim de nove dias de exibição de 91 filmes de 25 países, vistos por 7.500 espetadores.

O júri da competição para a Melhor Longa-Metragem, composto por João Federici e João Rui Guerra da Mata, sustentou a escolha por o filme mostrar que «é possível olhar para o real sem tropeçar na facilidade do realismo social».

«
«Keep the Lights On» usa o cuidado de uma direção de fotografia clássica e uma banda sonora (...) para nos conduzir ao espaço de uma vida a dois, respirando verdade mas, ao mesmo tempo, uma ideia de construção de som e de imagem. E isso é cinema», justificou ainda o júri.

O júri decidiu ainda atribuir uma menção honrosa ao filme
«Beauty», realizado por Oliver Hermanus, pelo «argumento poderoso».

Também deliberou atribuir uma segunda menção honrosa a
«She Monkeys», realizado por Lisa Aschan, «pela invulgar força de uma primeira obra e um olhar que sugere um ponto de vista de autor».

O Prémio de Menção para o Melhor Ator foi atribuído ex-aequo para Thure Lindhart, pela interpretação em «Keep the Lights On», e para Deon Lotz, pela interpretação de François, em «Beauty».

Em relação ao Prémio de Menção para a Melhor Atriz, foi também atribuída ex-aequo a
Claudia Ohana e
Vanessa Giácomo, intérpretes, respetivamente, de Dora e Amanda, no filme «A Novela das 8», de Odilon Rocha, «pela forma como juntam num par a força de dois opostos e celebram em cinema a alma de uma expressão da cultura popular do Brasil: a novela», justificou o júri.

Na competição de Melhor Documentário, o júri foi composto por João Pedro Vale, Travis Jeppesen e Leonor Noivo, e o vencedor foi
«Jaurès», de Vincent Dieutre.

O Prémio de Melhor Longa-Metragem tem um valor monetário de 1.000 euros, enquanto o Prémio de Melhor Documentário ascende a 3.000 euros e é atribuído pela RTP2, com a compra dos direitos de exibição do filme neste canal.

Segundo o júri, ««Jaurés» demonstra, de forma eficaz, como o plano pessoal também pode ser político, ao mesmo tempo que a sua construção formal exponencia as possibilidades do próprio género documental».

Foi ainda atribuída uma menção especial a
«Olhe Pra Mim de Novo», realizado por Claudia Priscila e Kiko Goifman, que, segundo o júri, «merece um segundo olhar pela sua corajosa, desafiante e complexa exploração do confronto e ultrapassar de diferenças».

Na competição para a Melhor Curta-Metragem, cujo júri foi composto por Paul Macgregor, Vítor d’Andrade e Isilda Sanches, o prémio internacional foi para o filme
«Along the Road», de Anette Gunnarsson e Jerry Carlsson (1.000 euros), descrito como uma «perspicaz impressão da solidão num só «take»».

O Prémio Pixel Bunker de Melhor Curta-Metragem Nacional foi para
«Bankers», realizado por António da Silva (5.000 euros em serviços de pós-produção vídeo), «pela afirmação sexual e também política da promiscuidade do sistema financeiro».

Do palmarés consta ainda o Prémio do Público para a Melhor Longa-Metragem, atribuído a
«A Novela das 8», de Odilon Rocha, um retrato do Rio de Janeiro de 1978, tendo a telenovela «Dancin’Days» como pano de fundo.

O Prémio do Público para o Melhor Documentário foi para
«Vito», de Jeffrey Schwarz, sobre Vito Russo, o ativista e autor do livro «The Celluloid Closet», e o Prémio do Público para a Melhor Curta-Metragem foi para
«Ce N’Est Pas un Film de Cow-boys», de Benjamin Parent.

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