“Mr. Babenco – Solóquio a dois sem um”, livro em que a atriz, realizadora e produtora Barbara Paz retrata a vida do cineasta de origem argentina Hector Babenco, foi lançado esta terça-feira em Óbidos, no Folio - Festival Literário Internacional.

O livro resulta, explicou a autora brasileira à agência Lusa, de “uma transcrição de todas as conversas” que manteve com o seu companheiro, Hector Babenco (1946-2016), conhecido por filmes como "Pixote: A Lei do Mais Fraco" (1980), "Carandiru" (2003) e "O Beijo da Mulher Aranha" (1985) - a primeira coprodução brasileira nomeada para os Óscares, e que deu a William Hurt o Óscar de Melhor Ator.

A atriz e produtora, que durante nove anos viveu com Hector Babenco, dirigiu, após a morte do cineasta, o filme “Babenco – Alguém tem que ouvir o coração dizer: Parou”, distinguido este ano no Festival Internacional de Cinema em Veneza na categoria de Melhor Documentário.

Mas “a ideia de que no documentário não cabia tudo o que havia a dizer sobre aquele grande homem”, levou Bárbara Paz a compilar em livro “as poesias, as memórias e as histórias sobre a sua vida, desde que saiu da Argentina, foi figurante de cinema para ganhar dinheiro" e acabou por se tornar cineasta e “num ícone do cinema”.

O livro retrata “as dificuldades e a beleza” de uma trajetória em que, “doente com cancro desde os 38 anos ele [Hector Babenco] nunca deixou de filmar”, disse Bárbara Paz à Lusa.

“Entre a vida e a morte fazia um filme, e a beleza deste livro é ver esse homem a lutar para sobreviver, através do cinema, que o mantinha vivo”, afirmou, justificando que, com o documentário e com o livro, pretende “congelar Hector [Babenco] onde ele deve estar, como um pensador, um homem do cinema, que amava a vida acima de tudo”.

O livro, apresentado hoje no Folio - Festival Literário INternacional de Óbidos, tem a chancela da editora Noz e conta, em 180 páginas, a vida do cineasta nascido em Mar del Planta (Argentina) e naturalizado brasileiro, em 1977.

Trata-se de “uma homenagem” a “um gigante, como pensador, como "um maestro a transformar a dor em obra”, que acaba, precisamente, com o último jantar do casal, no hospital, um dia antes da morte de Hector Babenco, aos 70 anos.

Bárbara Paz é atriz, realizadora e produtora, e recebeu a medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura do Brasil, em 2013.

No cinema, como atriz, participou em várias longas e curtas-metragens incluindo, "Meu amigo Hindu”, o último filme (autobiográfico) de Hector Babenco, ao lado de Willem Dafoe.

O documentário “Babenco - Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou” é a sua primeiro longa-metragem e, além do prémio de Melhor Documentário no festival de Veneza, ganhou também o prémio da crítica independente, presente no festival, Bisato D’oro (Enguia de Ouro).

O Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos decorre na vila até ao próximo dia 20, com mais de 210 iniciativas em 450 horas de programação, em torno da literatura.

Sob o tema “O Tempo e o Medo” mais de meio milhar de convidados de quatro continentes participam em 16 mesas de escritores, 12 exposições e 13 concertos que integram a programação.

Organizado em cinco capítulos (Autores, Folia, Educa, Ilustra e Folio Mais) o festival teve a sua primeira edição em 2015, num investimento de meio milhão de euros, comparticipados por fundos comunitários, sendo desde então custeado pela autarquia e por parceiros institucionais.

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