Apesar de ter custado 60 milhões de dólares e ter como estrela Brad Pitt, "Máquina de Guerra" está a passar ao lado do grande público. E isso porque é um filme original Netflix, que o lançou a nível internacional apenas na sua plataforma a 26 de maio.

Os críticos também não mostraram grande entusiasmo com esta sátira sobre o envolvimento norte-americano na guerra do Afeganistão realizada por David Michôd (o mesmo de "Reino Animal").

De facto, a comédia onde Brad Pitt interpreta um orgulho general que é incumbido de ganhar uma guerra impopular e aceita o desafio sem saber que o seu maior inimigo pode ser a sua arrogância está a ser popular onde seria mais improvável: no Pentágono.

Helene Cooper, a jornalista do The New York Times junto do Departamento de Defesa dos EUA, revelou no podcast The Daily que "toda a gente no Pentágono está a falar sobre o filme".

O impacto parece dever-se à forma como o filme equilibra os dois lados: a representação da honra militar com a crítica ao envolvimento americano no conflito.

"É um filme que se opõe claramente à guerra no Afeganistão, mas as pessoas que se pensaria que ficariam ofendidas por ele adoram-no", comentou a jornalista.

"Para mim é espantoso. Tantos perderam colegas, perderam camaradas e perguntam-se constantemente 'O que é que ainda lá estamos a fazer? Estamos a lutar pelo quê?'. Mas ao mesmo tempo, temos estes oficiais que dizem 'Perdemos todos estas pessoas no Afeganistão, gastámos tanto sangue e talento no terreno daquele país e agora simplesmente viramos as costas e retiramos. Para que é que foi isso?'", explicou.

É essa contradição que surge representado em "Máquina de Guerra", o que parece explicar a razão para a admiração dos funcionários no Pentágono.

Apesar de Brad Pitt ter dado algumas entrevistas para promover o filme, na opinião de alguns analistas a estratégia "streaming" da Netflix em não fazer uma estreia normal em algumas salas de cinema contribuiu para a ausência de debate fora deste setor específico em Washington DC.

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