O filme “Menina”, de Cristina Pinheiro, focado na vida de uma família portuguesa emigrada em França no final dos anos 1970, tem estreia comercial em Portugal a 25 de abril, foi hoje anunciado.

“Com Nuno Lopes e Beatriz Batarda nos principais papéis ‘Menina’, a primeira longa-metragem da realizadora lusodescendente Cristina Pinheiro chega às salas de cinema nacionais dia 25 de abril”, refere a distribuidora NOS Audiovisuais.

O filme, que esteve em exibição nos cinemas em França no início do ano passado, nasceu de uma tentativa de a cineasta lusodescendente se "apropriar" das suas raízes portuguesas, que temeu perder após a morte dos pais, contou Cristina Pinheiro à Lusa em janeiro do ano passado.

Com a francesa Naomi Biton e os portugueses Nuno Lopes e Beatriz Batarda como protagonistas, o filme conta a história de uma família portuguesa em França, na década de 1970, através do olhar de uma menina de 10 anos, que já nasceu em França e que é confrontada com uma mãe distante e um pai com problemas de álcool, que lhe confessa que vai morrer.

Depois de um percurso como atriz e de ter realizado as curtas-metragens "Morte Marina" (2002) e "Liga" (2012), Cristina Pinheiro quis "regressar" a um Portugal que conheceu a partir de França, para assinar a primeira longa-metragem.

A história, filmada em Port-Saint-Louis-du-Rhône, no sul de França, começa com uma festa de portugueses no 25 de Abril e termina com a festa nacional francesa a 14 de julho, numa escolha simbólica para mostrar os dilemas de uma identidade dividida entre dois países.

"Como é que se gere quando dentro de casa é Portugal e quando se mete o pé lá fora é França? Isto numa altura em que a emigração portuguesa era forte e sentia-se racismo em muitas frases? É como se todos dissessem: tens de escolher entre ser francesa ou portuguesa, entre amar a tua mãe ou o teu pai. Escolhe até a tua revolução! Mas ela não deve ter de escolher, porque ela é as duas coisas!", explicou à Lusa.

Além da história da "menina", o filme também se debruça sobre o percurso dos pais, "que vivem numa França que os acolhe", e mostra "o sentimento de exílio e de dor relativamente ao seu próprio país".

Na narrativa, a fuga clandestina de Portugal, conhecida como "o salto", transforma-se numa espécie de conto de encantar nas palavras do pai da jovem protagonista.

A realizadora considera que, neste momento, os lusodescendentes estão a protagonizar "um despertar" do interesse pela história da emigração portuguesa para França, e já está a escrever o próximo filme onde "Portugal vai estar presente de uma outra forma".

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