Michael Caine também não voltará a trabalhar com Woody Allen, juntando-se ao grupo de atores que entraram em filmes do realizador e que se afastaram após a sua filha adoptiva reafirmar as acusações de abuso sexual que terá alegadamente sofrido na década de 90.

"Estou tão espantado. Sou um patrono da NSPCC [Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade Infantil, em tradução livre]  e tenho pontos de vista muito fortes sobre a pedofilia", afirmou o ator, que ganhou o seu primeiro Óscar às ordens do realizador em "Ana e as Suas Irmãs" (1986), durante uma entrevista ao The Guardian.

"Não consigo perceber, porque adorei o Woody e passei um tempo maravilhoso com ele. Até o apresentei à Mia [Farrow]. Não me arrependo de ter trabalhado com ele, o que fiz com toda a inocência; mas não voltaria a fazê-lo outra vez", acrescentou.

Recentemente, Dylan Farrow reafirmou publicamente que Woody Allen a molestou em 1993, quando tinha sete anos, o que este sempre negou. O caso voltou à atenção mediática com as acusações de alegado assédio sexual contra o produtor Harvey Weinstein que causaram um terramoto em Hollywood.

Colin Firth, Kate Winslet, Mira Sorvino, Natalie Portman, Peter Sarsgaard ou Ellen Page, entre outros, foram alguns dos que anunciaram publicamente que não voltariam a trabalhar com Woody Allen ou expressaram o seu arrependimento por o terem feito.

Rebecca Hall, Timothée Chalamet e Selena Gomez, protagonistas do ainda inédito "A Rainy Day in New York", decidiram doar os seus salários a organizações de caridade.

Diane Keaton, vista como a eterna musa, incluindo pelo próprio Woody Allen, e Alec Baldwin, afirmam que continuam a acreditar no realizador.

Em 1993, as autoridades médicas e judiciais não encontraram indícios que justificassem avançar com acusações.

"Quando essa acusação foi feita pela primeira vez há mais de 25 anos, ela foi investigada minuciosamente pela clínica de abuso sexual infantil do Hospital Yale-New Haven e pelos serviços de proteção infantil do Estado de Nova Iorque. Ambos fizeram isso durante muitos meses e concluíram de forma independente que nunca existiu qualquer abuso. Em vez disso, eles acharam que era muito provável que uma criança vulnerável tivesse sido treinada para contar a história pela sua mãe zangada [Mia Farrow] durante um divórcio contencioso.", disse o realizador em janeiro ao programa CBS This Morning.

"O irmão mais velho de Dylan, Moses, disse que ele testemunhou a sua mãe a fazer exatamente isso - implacavelmente a treinar Dylan, tentando enfiar nela que o pai dela era um perigoso predador sexual. Parece ter funcionado - e, infelizmente, tenho certeza que Dylan realmente acredita no que ela diz.", continuava a declaração.

"Mas mesmo que a família Farrow esteja a usar cinicamente a oportunidade oferecida pelo movimento 'Time's Up' para repetir esta acusação desacreditada, isso não a torna mais verdade hoje do que era no passado. Nunca abusei da minha filha - como todas as investigações concluíram há um quarto de século", concluiu.

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