A superprodução, com um colossal orçamento de 200 milhões de dólares, é a única que se atreve a ser lançada - após uma série de adiamentos - neste período conturbado. A Disney, por exemplo, estreará "Mulan", uma das suas grandes apostas para este ano, diretamente na sua plataforma de streaming, pelo menos nos EUA.

Porém, a Warner Bros decidiu confiar em Nolan, cujos filmes - como a elogiada trilogia de Batman - renderam mais de quatro mil milhões de dólares.

"Tenet" estreará em mais de 70 países a partir de 26 de agosto, antes da exibição nos Estados Unidos a 3 de setembro.

Em Portugal, de acordo com a distribuidora NOS Lusomundo Audiovisuais, vai estar em 70 cinemas, com cerca de 150 salas, o que significa que haverá exibição em mais do que uma sala, num mesmo complexo cinematográfico.

As salas portuguesas de cinema, que reabriram em 1 de junho, tiveram naquele mês cerca de 12.400 espectadores, o que representou 1% da assistência registada em junho de 2019.

Antes da covid-19, a média mensal de assistência nas salas de cinema rondava um milhão de espectadores.

Assim, a questão que se tem colocado é se "Tenet" será o filme para salvar o cinema em 2020? A BBC respondeu de forma afirmativa numa análise recente, descrevendo Nolan como "padroeiro" das salas de cinema.

"Estas últimas semanas lembraram-nos, como se fosse necessário, de que há coisas mais importantes do que ir ao cinema. Mas quando refletimos sobre tudo o que o cinema nos oferece, talvez não seja tão inútil", escreveu o influente cineasta de "Inception" e "Interstellar", num artigo recente publicado no Washington Post.

Entrar no ecrã

O filme conta com os principais ingredientes para qualquer receita de sucesso, e o seu apelo argumentativo pode ser visto no título, um palíndromo, ou seja, uma palavra que pode ser lida nos dois sentidos, como o movimento do tempo que permite que os personagens possam avançar ou voltar.

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O cineasta anglo-americano diverte-se com cenas fantásticas, protagonizadas por um agente secreto (John David Washington, filho do ator Denzel Washington), que enfrenta uma cruel figura (Kenneth Branagh) que ameaça a humanidade.

Quanto à trama de espionagem, em conferência de imprensa virtual na última quarta-feira, Nolan confessou que ficou marcado ao ver "007: O Agente Irresistível", um James Bond da época de Roger Moore.

"É o primeiro que vi, aos sete anos. Tive a impressão de que podia entrar no ecrã e ir a todos os cantos do planeta. Queria redescobrir esse sentimento", explicou o realizador.

Um herói negro

A sua longa-metragem com duração de 2h30, e rodada em sete países, difere da saga de Bond por ter um herói negro, algo que até agora não aconteceu com o famoso agente secreto.

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O elenco de "Tenet" inclui Robert Pattinson, que se encaixa perfeitamente no seu ambíguo personagem, que "gosta do caos e de viver no meio de um pesadelo", segundo o próprio ator, e também Elizabeth Debicki, que volta a interpretar uma mulher indignada que recupera a liberdade, como em "Viúvas", de Steve McQueen.

O realizador, que apresentou o guião a vários cientistas para o adaptar às teorias sobre a passagem do tempo, não é o primeiro a refletir sobre as consequências da manipulação do passado no presente.

"Exterminador Implacável", por exemplo, antecipou o tema. Mas, desta vez, as passagens temporais são mais permeáveis e numerosas.

Veja o trailer do filme:

(*) Notícia atualizada a 26 de agosto com dados da exibição em Portugal.

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