A conferência, organizada na Culturgest pela associação Música.PT, contará com intervenções de várias personalidades, como o compositor António Pinho Vargas, o economista Augusto Mateus, o diretor geral das Artes, Samuel Rego, e o diretor artístico da Casa da Música, António Jorge Pacheco.

José Morais, um dos organizadores, explicou à agência Lusa que o objetivo é discutir estratégias para exportar a música portuguesa, "perante o momento de crise em que o país está mergulhado" e tendo em conta que a cultura é "cronicamente desprezada e esquecida por parte dos poderes instituídos".

A internacionalização da música portuguesa "não custa muito dinheiro e, em termos de exportação, são divisas a entrar para o país. (...) Já que há o grande desígnio nacional virado para a exportação, que haja um trabalho sério de apoio do Governo para isto, que não sejam só afirmações do primeiro-ministro a mandar-nos emigrar", afirmou José Morais, promotor de espetáculos.

Na conferência serão discutidos casos específicos da exportação da música portuguesa, como o do grupo Madredeus nos anos 1990, o exemplo da internacionalização do fado ou ainda o sucesso da carreira de Cesária Évora fora de Cabo Verde.

O economista Augusto Mateus, responsável pelo estudo sobre o peso económico das indústrias criativas, deverá apresentar dados sobre o potencial da música portuguesa no estrangeiro.

A organização convidou ainda Daniel Colling, um dos fundadores do festival francês Printemps de Bourges, e Vincent Fournier Laroque, responsável pelo gabinete de exportação da música francesa.

Sobre a atual situação da música portuguesa, José Morais referiu que há autarquias a dever dinheiro a artistas por espetáculos contratados, que editoras e promotoras fazem acordos diretos de distribuição discográfica com a rede FNAC e que os concertos são o principal sustento de muitos músicos.

No decorrer do anterior governo de José Sócrates foi anunciada a criação do Gabinete de Exportação da Música Portuguesa, com uma dotação de um milhão de euros, mas o projeto continua por concretizar, com a atual tutela a informar de que quer rever a sua criação.

José Morais explicou que na conferência deverão ser discutidos modelos de apoio, que envolvam mais, por exemplo, as embaixadas, a transportadora aérea TAP - em redução de tarifas para músicos técnicos - o Instituto Camões.

"Nós hoje temos mais projetos a internacionalizar-se do que há vinte anos. E não são só fado", sublinhou José Morais, nomeando os Deolinda, A Naifa ou os Dead Combo.

José Morais é um dos sócios da empresa Produtores Associados, que trabalha com vários artistas portugueses, como os fadista Marco Rodrigues e Mafalda Arnauth, e os Dead Combo, como os quais tem investido fora de portas.

Em 2011, a Produtores Associados teve um volume de negócios que rondou os dois milhões de euros.

@SAPO com Lusa.

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