Os Sun Araw foram os primeiros a atuar, num dia em que o palco secundário continua a ser o único em funcionamento. Liderado por Cameron Stallones, o grupo apresentou uma sonoridade muito experimental que, pelo uso de efeitos, tornava-se, ao mesmo tempo, retro e futurística. A guitarra recordava por vezes uma série policial dos anos 70, com o resto das batidas a parecerem ser vindas de uma máquina do tempo.

Seguiram-se os Japandroids – estreia absoluta do certame minhoto. Os canadianos, de Vancouver, apresentaram um espectáculo rock, com pitadas de punk, provocando os primeiros moches em Fire’s Highway e Wet Hair. Imparáveis – foi como se mostraram, com uma guitarra agressiva e uma bateria rápida, que, mais tarde, em Flight of the Eagles, daria o ar de sua graça num solo. The House that Heaven Built foi um dos temas que mais resposta obteve do público, que respondeu em coro à sequência de vogais que faz parte do refrão.

Seguiu-se uma outra estreia em Portugal - os tUnE-yArDs, que subiram ao palco liderados pela imparável Merril Garbus. Igual à imagem criada pelas músicas e os respetivos vídeos, Merril exibie uma risca ao longo da face, cantando com uma poderosa voz. Em Gangsta, consegue colocar o público a imitar uma sirene de polícia. A sua felicidade é contagiante. O sorriso rasga-lhe o rosto.

Os tUnE-yArDs tocam músicas difíceis de definir, dada a miscelânea de estilos que incorporam. Merril grava, geralmente, uma batida, que repete ao longo da música. A voz tanto serve para cantar, como é utilizada como um instrumento, criando vários barulhos num estilo único. A alegria da cantora associada às batidas irresistíveis leva a que, sempre que Merril salte, o público a acompanhe. Sempre que ela bata palmas, o público repete, e todos parecem estar a adorar fazê-lo.

Stephen Malkmus and The Jicks foram os que se seguiram no alinhamento. Uma recordação do seu primeiro disco, Jenny and the Ess-Dog, foi seguida de Senator, do recente “Mirror Traffic”, disco em torno do qual o concerto de baseou. A chuva viria, mais tarde, a condenar o espetáculo, cujos espetadores não ultrapassaram o morno, na escala de excitação.

Samantha Urbani, vocalista de Friends, optou por uma estratégia diferente para aquecer a audiência: mascarada de polícia, Urbani prometeu punir quem não se mexesse e não dançasse. Esta sedução farsola e mascara improvisada recordou uma diva pop decadente, no entanto, obteve o efeito desejado sobre os elementos do sexo masculino da audiência. Não faltaram piropos e Samantha aproveitou para se ir despindo, uma peça de cada vez, revelando por fim a t-shirt das Pussy Riot, a banda punk russa que tem recebido atenção devido à sua detenção. Músicas como A Thing Like This e I’m his Friend obtiveram calorosa reação do público, sendo que o ponto alto da festa foi feito com ossaltos da vocalista para o público.

Os portugueses Paus foram a última banda a tocar no segundo dia do festival. A dupla de bateristas, Joaquim Albergaria e Hélio Morais, também trouxe calor humano para aquecer os espectadores, mas um diferente tipo de calor, com mais barba e com muita batida. A bateria siamesa partilhada pelos dois cedo começou a mostrar a sua força. Entre os temas do coletivo, houve ainda uma pausa para uma versão da Umbrella, de Rihanna, mas foi com Deixa-me ser que o público aproveitou para esquecer os danos feitos pela chuva, que começava a abrandar.

Coube a Nuno Lopes fechar a cortina do palco em DJ set. Amanhã, já com o palco principal a funcionar, os concertos a não perder são The Temper Trap, Sleigh Bells, dEUS e também Patrick Watson e Kavinsky, no palco Vodafone FM.

Texto: Henrique Mourão

Fotografias: Iris Rocha

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