O projeto do português José Alberto Gomes trouxe ao palco uma eletrónica minimalista e até downtempo, como aquela que se pode encontrar no seu mais recente trabalho, “Quiet Ensemble”. Uma atuação que terminou com o Musicbox já cheio, a abrir “o apetite” para o que se seguiria.

Uma mesa montada do lado esquerdo do palco, uma guitarra e um baixo. Matthew Barnes subiu ao palco acompanhado de um baixista e, sem grandes palavras, começou a dar música aos presentes. Pausas pensadas, que intercalavam jogos de luz e de som, com padrões que puxavam pelo retro e pelo psicadélico, maioritariamente em tons de preto, amarelo e verde, inspirados no grafismo do álbum, a “puxar-nos” para o palco e a estabelecer a luz ambiente dentro da sala. Duas silhuetas que se moviam no escuro, em contra-luz, ocasionalmente iluminadas, com destaque para as mãos, que alternavam entre as cordas e os vários botões das mesas de mistura. Um ambiente negro, com algumas luzes dançantes e uma envolvência quase palpável.

Que “Engravings” foi um álbum que reuniu consenso entre a crítica já era sabido, mas, ao sermos arrastados para o mundo musical de Barnes, os membros estremecem ao som das cordas da guitarra e do baixo, reagindo às fusões de elementos, quer mais exóticos, quer mais rítmicos, das músicas do álbum. “Ljoss” arrancou as primeiras manifestações mais efusivas e abriu caminho para as restantes músicas do álbum, recebidas com agrado entre os presentes. Um Matthew irrequieto, com gotas de suor a escorrer pela testa, passava para o público a intensidade dos movimentos, quase como que faixa a faixa. Por entre as músicas, algumas paragens para elogiar “a bonita cidade de Lisboa”, onde nunca havia ainda estado.

Quando o público voltou a despertar do espetáculo, Forest Swords e o seu baixista começavam a sair de palco. A reação do público trouxe o produtor de volta para, no 50º concerto da sua digressão, levantar o véu a um tema novo, ainda sem nome e ainda um pouco inacabado, segundo o próprio. Mesmo assim, serviu para contentar os presentes, agora com os pés mais na terra.

No final, um convite para conviver no bar, feito pelo britânico ao público, e um concerto que, ainda que de ambiente característico, pareceu demasiado curto.

Texto e fotografias: Rita Bernardo

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