José Manuel Niza Antunes Mendes José nasceu a 16 de setembro de 1938, em Lisboa, mas passou a infância e juventude em Santarém, de onde saiu aos 17 anos para ir estudar Medicina e Psiquiatria em Coimbra, cidade onde se iniciaria na música, através do fado.

Foi em Coimbra que conheceu José Afonso e Adriano Correia de Oliveira e, em 1961, com Proença de Carvalho, Rui Ressurreição e Joaquim Caixeiro, fundou um quarteto de jazz e o Clube de Jazz do Orfeon.

Interrompeu nesse ano os estudos devido à morte do pai, tendo regressado a Coimbra cinco anos mais tarde, em 1966, para os retomar.

Até 1969, criou música para peças de teatro como «A Excepção e a regra», apresentada no centro paroquial de Águeda, que a polícia política da ditadura do Estado Novo, a PIDE, viria a encerrar.

José Niza foi chamado várias vezes à PIDE para interrogatório, sobretudo durante a greve académica de 1969, que teve como um dos hinos a canção «Cantar de Emigrante», por ele composta.

Destacado para Angola em 1970, José Niza foi ali alferes-médico do Exército português e criou músicas do disco de Adriano Correia de Oliveira «Gente de Aqui e de Agora», que viria a ser lançado em outubro de 1971.

Também compôs «Fala do Homem Nascido», com base em poemas de António Gedeão, disco que viria a sair em 1972, com arranjos orquestrais de José Calvário e vozes de Tonicha, Carlos Mendes, Duarte Mendes e Samuel.

Quando assumiu a liderança da editora Orfeu, passou a produzir diversos trabalhos de cantores portugueses como Fausto, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho, Vitorino, José Afonso e Adriano Correia de Oliveira.

Antes de «E Depois do Adeus» - senha musical para o Movimento das Forças Armadas - José Niza já tinha conquistado o Festival da Canção da RTP, em 1972, com José Calvário e Carlos Mendes, com o tema «A Festa da Vida».

Após o 25 de abril de 1974, filiado no Partido Socialista, José Niza deixou a editora Orfeu e passou a dedicar-se à política, tendo sido eleito deputado à Assembleia da República pelo círculo de Santarém e, em 1977 e 1978, tendo o cargo de diretor de Programas da RTP.

Em 1983 e 1984 voltou à RTP como administrador ligado à produção e, em 1985, regressou ao Parlamento, onde procurou defender as questões ligadas à música, participando, por exemplo, na elaboração da legislação relativa à obrigatoriedade de passagem de cinquenta por cento de música portuguesa nas estações de rádio do país.

Deixou de ser deputado em 1999, mas manteve-se como assessor do presidente da Assembleia da República, Almeida Santos.

«E Depois do Adeus», interpretado por Paulo de Carvalho tema vencedor do Festival da Canção de 1974

«Uma Flor de Verde Pinho», interpretado por Carlos do Carmo, tema vencedor do Festival da Canção de 1976

SAPO/Lusa

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.*

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