O apoio de familiares e amigos de infância, como Slash, deram-lhe força para enfrentar as duras etapas de reabilitação, depois de mais de duas décadas de dependência de álcool e drogas. Após a participação nas séries do Vh1 “Celebrity Rehab” e “Sober House”, Steven Adler resolveu limpar, também, o que lhe ia na alma, com o lançamento, em 2010, do livro “My Appetite for Destruction – Sex, Drugs and Guns n’Roses”, onde regressa à infância e conta tudo – mesmo tudo – o que havia para contar. Sucesso de vendas nos Estados Unidos, este livro abriu caminho para uma nova fase na vida do baterista, que diz ter encontrado, agora, a formação certa para começar a escrever originais e levar os Adler’s Appetite para outro nível.

Bastante entusiasmado com o regresso à Europa, Steven Adler falou com o Palco Principal numa conversa onde manteve a honestidade que o caracteriza. Não esconde o sonho de voltar a reunir a formação original dos Guns, mas é nos Adler’s Appetite que está concentrado a tempo inteiro, neste momento.

Palco Principal - Nos primeiros tempos dos Guns’n’Roses, todos tinham aquele ar cool e meio distante de rockstar, mas o Adler era sempre o que parecia estar a divertir-se mais. Voltámos a ver aquele grande sorriso que sempre teve atrás da bateria na semana passada, durante os seus showcases no NAMM [uma das maiores feiras de instrumentos musicais, realizada anualmente, na Califórnia]. Parece mais feliz e saudável do que nunca. Como é que se sente?

Steven Adler - Sinto-me óptimo! 2010 foi um ano fantástico e o melhor ainda está para vir...

PP – Os Adler’s Appetite estão apenas a alguns dias de uma digressão europeia, que vos vai levar a bastantes países. Está entusiasmado? Como é que têm corrido as datas nos Estados Unidos?

SA - Temos estado a fazer estes shows no Arizona como “aquecimento” para a digressão europeia e tem estado tudo a correr mesmo muito bem! O set está muito coeso e estamos prontos para chegar a Itália já na próxima semana.

PP - Além dos clássicos de GN’R, os Adler’s Appetite vão apresentar alguns dos originais em que têm estado a trabalhar. Alguns dos temas já estão disponíveis para download no iTunes e o EP vai ser lançado em breve. Quando é que começou a sentir necessidade de compor e ter os seus próprios originais? A mudança no line-up da banda teve influência?

SA - Começámos a escrever canções no ano passado e gravámos o tema Alive em Junho. Acabámos por lançá-lo como um download gratuito com o meu livro e promovemo-lo ao vivo durante todo o Verão… Era algo que tinha que fazer. Não posso continuar a viver preso ao passado e agora, finalmente, encontrei o grupo certo de pessoas para compor comigo.

PP - O novo material apresenta-se repleto de grandes riffs, com uma abordagem actual, sem perder a grandiosidade, o poder e a melodia que marcava o hard rock dos anos 80 e inícios de 90. Quando decidiu começar a escrever originais, impôs algumas condições sobre como é que os temas deveriam soar? Apesar de não serem os Guns’n’Roses, têm de apresentar alguma coerência com o repertório que já tinha…

SA - Sim, cada um de nós na banda tem o seu próprio estilo de composição, as suas influências, mas sabíamos que as canções que escrevêssemos teriam que encaixar com as coisas de Guns…O facto de conseguirmos tocar cada um dos nossos temas ao vivo, dentro do set que já tínhamos, sem nunca perdermos ritmo nem poder, para mim é fantástico!

PP - O seu amigo Fred Coury [baterista de Cinderella] está, actualmente, a produzir o EP. Como é que estão a correr as coisas? Há alguma data agendada para o lançamento?

SA - Ainda não temos datas previstas. Estamos em contacto com algumas editoras e a definir a melhor forma de fazer o lançamento, mas, neste momento, é um processo que ainda está em curso.

PP - Soube rodear-se de alguns dos melhores músicos para criar esta nova formação dos Adler’s Appetite. No entanto, cada um dos seus companheiros tem a sua própria banda, com calendários próprios e compromissos. Isso tem criado alguns constrangimentos ou têm conseguido conciliar bem as coisas?

SA - Às vezes, cria mesmo constrangimentos… Aliás, o Alex Grossi [guitarrista] não vai conseguir viajar connosco até à Europa porque os Quiet Riot estão de volta. Está tudo certo e ficamos muito felizes por ele mas, de facto, os calendários nem sempre coincidem. De qualquer forma, estou muito feliz por conseguirmos tocar tanto e por ser possível manter a banda toda junta durante a maior parte do tempo… Eu detesto ficar sentado em casa!!!

PP - Entretanto, o Steven continua a ser um baterista muito procurado e endorser de várias marcas. Além dos Adler’s Appetite, quais são os seus projectos para 2011?

SA - O meu livro vai ser reeditado em Junho e, além dos Adler’s Appetite, não vou fazer mais nada… A promoção à volta do livro vai dar-nos MUITO que fazer nos próximos meses!

PP - Perante a vaga de regressos de várias bandas com os elementos originais e a possibilidade dos Guns n’Roses receberem uma estrela no Rock’n’Roll Hall of Fame, as pessoas estão sempre a perguntar-lhe se haverá uma reunião da primeira formação dos Guns. Também já teve oportunidade de responder, várias vezes, que seria um sonho tornado realidade…

SA - Sim, eu adoraria que se concretizasse, mas não vou suster a respiração à espera disso. Durante algum tempo, não pensava nem falava em mais nada, mas, agora, estou mesmo concentrado na minha banda. É tãoooooooo bom estar a evoluir como músico e como pessoa… Ter os GN’R reunidos de novo seria, definitivamente, a concretização de um sonho, mas já não é o meu único sonho.

PP - Como é que olha para a actual «encarnação» dos Guns? É doloroso, para si, assistir a todas as polémicas? Acompanha as histórias, como, por exemplo, a última digressão europeia dos Guns, ou consegue manter a distância?

SA - Já não presto muita atenção, porque as pessoas parecem estar sempre à procura de um pretexto para implicar com o Axl. No entanto, apercebi-me que o Duff [McKagan] fez uma jam com ele há alguns meses, e isso pareceu-me muito porreiro!

PP - O seu livro “My Appetite for Destruction – Sex, Drugs and Guns n’Roses” foi um best-seller. Vai bem fundo nas suas memórias e nas suas feridas e não esconde nada do seu passado. Apesar de ter funcionado para si como uma espécie de catarse e do início de uma nova fase, deve ter sido bastante duro para a sua família e amigos. O que é que retira desta experiência?

SA – Na verdade, funcionou como uma cura. Disse uma série de coisas que precisavam de ser ditas e retirei tudo do sistema. A minha família e os meus amigos apoiaram-me bastante na altura e continuo a ter o seu apoio todos os dias, por isso, acho que foi uma experiência curativa para toda a gente.

PP - Estamos a menos de um mês do concerto em Portugal. Já cá esteve?

SA - Já, mas não vou aí há muito tempo. Mal posso esperar! Até lá!

Liliana Nascimento

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