Luís Figueiredo, ao piano, Bernardo Couto, na guitarra portuguesa, e Bernardo Moreira, no contrabaixo, acompanham há oito anos a cantora Cristina Branco e “este ‘Sul’ surgiu num percurso naturalíssimo”, disse o contrabaixista em entrevista à agência Lusa.

“Com o passar do tempo, desenvolvemos uma sonoridade de trio que se foi construindo, começámos desde aí, e sentimos que algum dia tínhamos que fazer qualquer coisa instrumental baseada nesta formação”, afirmou.

“Este era o momento de registar em disco algo que nos representasse aos três, e daí estas influências que vão beber um bocadinho ao jazz, ao fado, à música popular”.

O músico defendeu que “Sul” tem “uma sonoridade muito portuguesa”, ao ter juntado o piano, o contrabaixo e a guitarra portuguesa.

“Tocamos tanto juntos que às vezes parece que é uma só pessoa a respirar”, disse.

O disco é constituído por oito temas, abrindo com uma composição de Bernardo Sassetti, “Promessas”, passando pelo fado e uma composição da autoria de cada um dos músicos do trio: “Canção para Carlos Paredes”, de Bernardo Moreira, “Amanhã era perfeito”, de Bernardo Couto, e “Daydreaming”, de Luís Figueiredo.

“Achámos, num primeiro disco nosso, fazia sentido homenagear três enormíssimos músicos portugueses, todos eles com uma característica muito nossa, além de serem grandes músicos de jazz, cada um deles tem uma dimensão e componente portuguesa, com uma voz própria, e fomos buscar um tema de cada um deles”, disse Moreira, referindo-se a Sassetti (1970-2012), Mário Laginha e João Paulo Esteves da Silva.

“O disco surge assim, quase que dividido em três partes, a parte dos pianistas, a parte dos originais e, no meio, polvilhar esta escolha com o ‘D. Filipa’ [do guitarrista de fado José Nunes (1916-1979)], e o Fado Menor do Porto [popular], e construir um ‘esqueleto’ que mostra todo este nosso percurso à volta do fado, da música popular e do jazz e como eles se podem entrecruzar”, disse.

Bernardo Moreira destacou a participação da guitarra portuguesa, que neste álbum “tem uma intervenção a vários níveis”: “Normalmente estamos habituados a ouvir a guitarra portuguesa muito no fado e como instrumento que responde ao cantor que canta a melodia e a guitarra como que ornamenta e responde em diálogo com o cantor e remete-se a um papel quase sempre idêntico. E aqui, a guitarra portuguesa adquire uma espécie de omnipresença a vários níveis”.

Segundo Bernardo Moreira, a guitarra portuguesa neste álbum “ganha uma dimensão rítmica, é possível ouvir o Bernardo [Couto] fazer efeitos na guitarra como se fosse um instrumento de percussão em que ele executa alguns padrões rítmicos repetidos, seria uma espécie de uma verdadeira secção rítmica e nunca se viu a guitarra portuguesa a assumir um papel deste género”.

“Nós aqui conseguimos dar uma outra dimensão à guitarra, muito fruto do mérito do Bernardo Couto, que é um músico extraordinário, e consegue dar à guitarra portuguesa vários papéis, que só a beneficie e engrandece, pois demonstra a versatilidade de um instrumento maravilhoso”, referiu Bernardo Moreira.

O trio apresentou-se ao vivo pela primeira vez em 2019, numa igreja em Copenhaga, a convite da comunidade portuguesa ali residente.

“Por estarmos tão no norte da Europa, surgiu o nome de ‘Sul’, música do Sul que é o que fazemos e de onde somos”, contou o contrabaixista à Lusa.

Este álbum foi gravado, “como se de um concerto se tratasse”, em abril, em Vila Nova de Gaia.

Na próxima quarta-feira, às 18h30, “Sul” é apresentado no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, e, na quinta, sexta-feira e sábado, sempre às 22h30, no Hot Clube de Portugal, em Lisboa.

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