Tyler Okonma, mais conhecido como Tyler, The Creator, é um jovem norte-americano de 20 anos que concentrou atenções através de canções e videoclips polémicos como "Yonkers" - em que fala, de forma particularmente dura, de sexo ou dos problemas do dia-a-dia. Em conversa com o músico algarvio GiJoe (Rafael Correia), também ligado ao hip-hop, o SAPO tentou perceber que mais torna Tyler numa das figuras mais faladas do momento.

Na opinião de Rafael, a atitude de Tyler traduz ‘novamente o movimento punk mas mais ligado ao hip-hop, com a rebeldia e um modo de agir muito cru. Isso reflete-se nas letras dele e as pessoas acabam por se identificar, especialmente as mais novas’.

De fato, Tyler, The Creator tem já muitos seguidores. Assumidamente controverso, apresenta um estilo que não é propriamente inovador na componente musical, assente no hip-hop e no rap, mas que se torna mais curioso pela sua estratégia de divulgação.
O músico norte-americano começou o seu trabalho através da criação de um vídeo na internet onde foi o produtor, o músico, o realizador e o designer gráfico. Mais: foi o divulgador da ação, o que lhe valeu a presença no programa de Jimmy Fallon na NBC.

‘Nas entrevistas já tem um objetivo diferente, já quer ser o número um de vendas, mas acaba por voltar a brincar com o ridículo da situação – esta nova situação que é começar a ser reconhecido’, diz GiJoe.

O músico algarvio considera por isso que o trabalho que tem sido desenvolvido por Tyler é ‘muito particular, o que não quer dizer que seja melhor ou pior... não dá para comparar com ninguém devido à envolvente’.

GiJoe acrescenta que ‘uma minoria nos EUA, que siga este fenómeno de início, é suficiente para o fazer crescer a sério porque estamos a falar de uma minoria que se calhar é maior que a população de Portugal’.

Em relação ao contexto português, e porque ‘Portugal é um país demasiado pequeno, porque existem vícios em todo o lado, porque há lobbys em todo o lado’, GiJoe acha que ‘nestas condições é fácil que duas ou três pessoas ou editoras controlem o mercado’.

O jovem músico não olha, contudo, com pessimismo para este cenário e defende que ‘como a música é feita de modas, o ideal é que cada músico se mantenha fiel ao seu estilo’. E conclui acrescentando que ‘em alguma altura a moda há-de passar por nós, e aí é só agarrar a oportunidade. Se formos sempre atrás de modas, vai parecer sempre algo repetido’.

@Eliana Silva

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