“Apenas alguns têm uma relação direta com o muro de Berlim, mas todos encontraram muros físicos ou metafóricos nas suas vidas pessoais”, conta à agência Lusa a curadoria da mostra, da responsabilidade de Sam Bardaouil e Till Fellrath.

No 30.º aniversário da queda do muro de Berlim, artistas de 20 diferentes países, que vão da Alemanha e do Brasil, à Tunísia e Venezuela, passando por Espanha, Estados Unidos, Líbano, Líbia ou México, fazem uma reflexão sobre o impacto de viver com a “separação e a segregação”. Este ponto comum foi o principal motivo para “juntar todos estes nomes”.

“Uma das artistas, Sibylle Bergemann, passou grande parte da sua carreira no lado leste da Alemanha, com o muro que dividiu a cidade durante quase três décadas. Os seus trabalhos nostálgicos e aguçados são colocados em várias divisões ao longo da exposição, como uma espécie de fio subtil que liga todas as obras a Berlim”, descrevem os curadores.

Bergemann é considerada uma das fotógrafas mais relevantes da antiga República Democrática Alemã (RDA), conhecida por mostrar uma visão mais melancólica da vida quotidiana do lado leste do país.

Entre as obras está a do brasileiro José Bechara “Ok,Ok, Let’s Talk”, que liga 50 mesas de madeira, ou “La Main”, de Alberto Giacometti, criada em 1947, a partir da memória da Segunda Guerra Mundial.

Marina Abramovic e Ulay, dupla pioneira da 'performance', retomam "Light/Dark", obra conjunta dos anos de 1970, uma instalação vídeo em 'loop', durante a qual o casal se agride, ininterruptamente.

“Muitos visitantes comentaram a forma intensa como se envolveram com a exposição. As obras de arte que escolhemos irradiam empatia e ligam-se de maneira muito direta, e por vezes emocional, com o espetador”, sublinha a curadoria.

“Acreditamos firmemente que, embora a arte não consiga mudar o mundo de maneira radical, pode fazê-lo progressivamente, transformando as pessoas, uma de cada vez (…). Esperamos que a nossa exposição alerte as pessoas para o enorme número de paredes metafóricas e físicas que existem dentro das nossas sociedades”, acrescenta.

As instalações sonoras de Smadar Dreyfus, com vozes de mães e filhos separados pela fronteira sírio-israelita, o quadro de Michael Kvium, com uma praia de veraneio, a que chega um bote de refugiados, e os muros transfigurados em aguarela e papel, de Melvin Edwards, são outras propostas da mostra.

Entre os 28 artistas encontram-se ainda Willie Doherty, várias vezes finalista do prémio Turner, Zahrah Al Ghamdi, de origem saudita, este ano convidada da Bienal de Veneza, a escultora palestiniana Mona Hatoum, com a sua experiência de fronteira, e o mexicano Héctor Zamora, com a 'performance' "Zeitgeist", na recriação de muros e passagens.

A exposição “Durch Mauer gehen” tem curadoria de Sam Bardaouil e Till Fellrath, do projeto Art Reoriented, e pode ser visitada no Gropius Bau até ao dia 19 de janeiro de 2020.

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