Entre os autores oriundos de 30 países que figuravam na lista longa de candidatos ao Prémio Literário Internacional de Dublin 2021, escolhida por bibliotecas de todo o mundo, figurava o nome do escritor português António Lobo Antunes, com a obra “Até que as pedras se tornem mais leves que a água”.

A organização anunciou hoje a lista de finalistas, que integra três homens (um irlandês, um norte-americano e um vietnamita) e três mulheres (duas mexicanas e uma britânica).

“Rapariga, Mulher, Outra”, de Bernardine Evaristo, que já venceu o Prémio Literário Booker, é um dos finalistas a este prémio, a que concorre o também já galardoado Colson Whitehead, com “Os Rapazes de Nickel”, vencedor do Pulitzer de ficção.

“Na terra somos brevemente magníficos”, de Ocean Vuong, “Apeirogon”, de Colum McCann, “Hurricane Season”, de Fernanda Melchor, e “Lost Children Archive”, de Valeria Luiselli, são os restantes finalistas ao prémio , cujo vencedor será anunciado a 20 de maio.

A obra “Rapariga, Mulher, Outra”, publicado em Portugal pela Elsinore, já tinha sido candidata ao Women's Prize for Fiction e valeu à autora uma dupla distinção nos British Book Awards, nas categorias de “Livro de Ficção do Ano” e “Autora do Ano”.

Trata-se de uma obra que aborda questões como o feminismo, a raça, a sexualidade, a identidade de género e a estratificação económica, social e histórica, um romance polifónico, com 12 personagens dos séculos XX e XXI, quase todas elas mulheres negras e, de uma maneira ou de outra, resultado do legado do império colonial britânico, que levam vidas muito diferentes.

As suas histórias, a das suas famílias, amigos e amantes, compõem um retrato multifacetado e realista dos dias de hoje, de uma sociedade multicultural que se confronta com a herança do seu passado e luta contra as contradições do presente.

“Os Rapazes de Nickel”, editado em Portugal pela Alfaguara, conta uma história de injustiça, baseada em factos verídicos, sobre dois amigos que lutam pela sobrevivência numa casa de correção para jovens, na cidade norte-americana que dá o nome à obra, num país e num tempo em que a cor da pele é determinante.

Este livro de Colson Whitehead - que já em 2017 vencera o Prémio Pulitzer de ficção com “A Estrada Subterrânea” - foi considerado um dos 10 melhores romances da década, pela revista “Time”.

“Na Terra Somos Brevemente Magníficos”, de Ocean Vuong, publicado pela Relógio d’Água, é a carta de um filho à mãe que não sabe ler, que evoca o passado de uma família e narra uma história que tem como epicentro o Vietname, desvendando aspetos da sua vida que a mãe nunca conheceu e levando a uma inquietante revelação final.

Testemunho de um amor duro mas inegável entre uma mãe solteira e o filho, a carta é também uma investigação sobre raça, classe e masculinidade, levantando questões centrais sobre uma atualidade repleta de violência e trauma, que se vão sobrepondo a compaixão e a sensibilidade.

Os outros três finalistas não estão publicados em Portugal.

Com “Apeirogon”, Colum McCann atravessa séculos e continentes, cosendo tempo, arte, história, natureza e política, numa história de amizade, amor, perda e pertença, que cruza as vidas de um palestiniano e de um israelita, que se tornam os melhores amigos.

Em “Hurricane Season”, um grupo de crianças encontra um cadáver de uma bruxa e toda a aldeia começa a investigar o crime, mas, à medida que o romance se desenrola, com cada narrador pouco fiável a persistir em detalhes, novos atos de depravação ou brutalidade, Fernanda Melchor extrai destes personagens alguns pequenos fragmentos de humanidade, formando um retrato de uma maldita aldeia mexicana.

O romance da também mexicana Valeria Luiselli, “Lost Children Archive”, acompanha um casal de artistas que parte com os seus dois filhos numa viagem por estrada, de Nova Iorque para o Arizona, no calor do Verão, mas, à medida que a família viaja para o oeste, os laços começam a esbater-se, e uma fratura cresce entre os pais.

Através de canções, mapas e uma câmara fotográfica Polaroid, as crianças tentam dar sentido tanto à crise da sua família, como a uma crise maior que ressalta nas notícias: as histórias de milhares de crianças que tentam atravessar a fronteira sudoeste para os Estados Unidos, mas que ficam detidas, ou perdidas no deserto, ao longo do caminho.

Entre os primeiros nomeados para o prémio, mas que ficaram também para trás, contavam-se “Pátria”, de Fernando Aramburo (Prémio Nacional de Narrativa de Espanha), “10 Minutos e 38 Segundos Neste Mundo Estranho”, de Elif Shafak, “A Coragem de Cilka”, de Heather Morris, “Clap when you land”, de Elizabeth Acevedo, “Cai a Noite em Caracas”, de Carina Sainz Borgo, “The Vanishing Half”, de Brit Bennett, e “Tyll. O Rei, O Cozinheiro e O Bobo”, de Daniel Kehlmann.

O Prémio Literário de Dublin é organizado pela autarquia da capital da Irlanda e gerido pelas bibliotecas públicas da cidade, com um valor monetário de 100 mil euros, a serem entregues na totalidade ao autor da obra vencedora, se esta for escrita em inglês, ou, no caso de tradução, a dividir entre escritor e tradutor, no valores de 75 mil euros e 25 mil euros, respetivamente.

A escritora irlandesa Anna Burns foi a vencedora da edição de 2020, com o romance "Milkman" (que já antes vencera o Prémio Booker).

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