Marcado para a Sala Suggia, pelas 18h00 de sábado, o concerto terá como maestro Peter Rundel, titular de outro agrupamento residente da Casa da Música, o Remix Ensemble, mas que também assumiu a direção musical da gravação da peça, em 2000, com a Jovem Filarmonia Alemã, assim como a sua estreia, em agosto de 1994, na Ópera de Frankfurt, na Alemanha.

O próprio Heiner Goebbels assume a conceção cénica e desenho de luzes deste concerto, que conta com a Digitópia na música eletrónica e os dois solistas ‘preferidos’ do compositor, que mais vezes interpretaram a obra, no caso a cantora jazz Jocelyn B. Smith e o vocalista David Moss, ambos norte-americanos.

A Casa da Música descreve “Surrogate Cities” como “uma obra com um amplo espetro artístico que não encaixa em gavetas ou rótulos simples”, algo que partilha com o autor, tendo como tema “a cidade, com as suas complexidades, as pessoas e os edifícios, as histórias e os ruídos”.

“A metáfora da cidade é nada menos do que a orquestra, que se completa com recursos eletrónicos para traduzir a mecânica e a arquitetura da urbe em constante transformação”, lê-se no texto de apresentação.

Antes do concerto, Peter Rundel e Heiner Goebbels conversam com o público, num encontro de 45 minutos que antecede a atuação da Sinfónica, que vai trazer a Portugal, pela primeira vez, uma composição que parte de textos de Paul Auster, Franz Kafka e Heiner Müller, para criar “a imagem e a sonoridade da cidade moderna, com todas as suas contradições fascinantes”.

“Surrogate Cities”, uma “suite para ‘sampler’ e orquestra”, combina música com texto e uma composição cénica desenhada pelo próprio compositor, trabalhando depois a justaposição da orquestra a ‘samples’ de sons, numa associação que visa aproximar a sonoridade do concerto à de uma cidade moderna.

A paisagem urbana mistura-se com a orquestra e é trazida para o palco combinando música, audição de textos, como um de Hugo Hamilton, que ‘empresta’ o título à obra, o dispositivo cénico de Goebbels e a variação entre movimentos da ópera, que nunca nomeia uma cidade específica, mas antes coloca várias ideias em torno da “selva de cimento” em confronto.

“Não queria produzir um ‘close-up’ [de uma cidade], mas tentar ler a cidade como um texto e, depois, traduzir algo das suas mecânicas e arquiteturas para música”, pode ler-se numa entrevista publicada no sítio oficial na Internet do compositor.

Estreada em 1994, ano em que o alemão a concluiu, “Surrogate Cities” foi uma encomenda para marcar o 1.200.º aniversário da cidade de Frankfurt, e o 20.º da Jovem Filarmonia, tendo sido gravada, depois, em disco, em 2000, com Peter Rundel e os solistas que há mais tempo a interpretam pelo mundo.

Em 2001, a gravação foi nomeada para um Grammy e, desde 1994, o trabalho, um dos mais ambiciosos em termos de produção, tem sido interpretado na Europa, Ásia e América do Norte.

Nascido em 1952, Heiner Goebbels estudou sociologia e música em Frankfurt, cidade onde iniciou uma carreira que começou ao lado de Alfred Harth, no duo Goebbels/Harth e num grupo de sopros por eles fundado, antes de se juntarem a Chris Cutler e Christoph Anders no grupo de ‘avant-rock’ Cassiber.

O trabalho com Heiner Müller faz parte do material cénico mais conhecido do compositor, tendo elaborado em conjunto várias peças ao longo dos anos. No seu percurso, Goebbels tem combinado teatro, ópera e concertos.

Trabalhou textos de escritores como Paul Valéry, Elias Canetti, Gertrude Stein, em performance, instalações ou concertos e, em 2012, encenou “Europeras 1&2”, de John Cage. A sua mais recente obra, “Everything that happened and would happen”, foi estreada em Manchester, Inglaterra, em 2018.

"Eislermaterial", de 1998, uma homenagem ao compositor alemão Hanns Eisler (1898-1962) e, em simultâneo, uma 'desconstrução' da sua obra, mantém-se como uma das mais conhecidas peças de Heiner Goebbels.

Entre os galardões que arrecadou contam-se o Prémio Europeu de Teatro e, em 2012, o Prémio Internacional Ibsen de Teatro, num ano em que começou a trabalhar enquanto diretor artístico da Trienal de Ruhr, que ocupou até 2014.

Em paralelo com o trabalho artístico, foi professor universitário na Universidade Justus Liebig, entre 1999 e 2018, e presidente da Academia de Teatro Hessen entre 2006 e 2018, ano em que recebeu, na Justus Liebig, o cargo inaugural de Professorado Georg Büchner.

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