O livro, com prefácio do também jornalista Júlio Roldão, revela uma faceta desconhecida de Albano da Rocha Pato, que morreu em 1982, aos 59 anos. Inclui sete contos e foi editado pela Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, da qual o jornalista era o sócio número 102.

"A história tem alguma piada. Eu vivi a vida intensa de jornalista do meu pai, ele era um jornalista e fotojornalista compulsivo. Mas desconhecia que tinha escrito alguns contos, até que descobri, no fundo de uma gaveta, um envelope esquecido com manuscritos", contou Rui Pato.

O músico, um dos acompanhantes de Zeca Afonso, falou com a mãe, que também desconhecia a existência dos contos, mas que se lembrava que o pai "fazia contos, ou para serem publicados em jornais ou a pedido, para serem lidos" em estações de rádio.

"É um livro sem grandes pretensões do ponto de vista literário. Se o meu pai estivesse aqui e lhe perguntassem, certamente nem quereria, mas para materializar o seu trabalho enquanto jornalista é capaz de ter algum interesse, para mim tem o valor estimativo de ter qualquer coisa de material dele", adiantou Rui Pato.

O pequeno livro, intitulado "Uma Luz no Mar", acabou por avançar depois do médico ter dado conhecimento a amigos de textos e fotografias do pai e materializou-se quando a Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto apareceu "espontaneamente" a demonstrar interesse "em ver os contos publicados", explicou.

No prefácio, Júlio Roldão lembra Albano da Rocha Pato como "um jornalista muito respeitado em Coimbra também por ser um assumido republicano e democrata que se opunha à ditadura salazarista".

Descreve-o como um jornalista "tão completo" que, em julho de 1950, reportou, com texto e fotografias, enquanto enviado do jornal O Primeiro de Janeiro, não só a participação do Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC) num festival de teatro clássico em Mainz (Alemanha), "mas também a reconstrução daquela cidade alemã muito destruída por bombardeamentos durante a II Grande Guerra".

"Albano da Rocha Pato era, realmente, um jornalista completo num tempo em que a profissão ainda não exigia, como exige hoje, uma múltipla capacidade de resposta, nomeadamente no domínio de várias técnicas - escrever, fotografar, filmar, paginar", escreve Júlio Roldão.

"Albano da Rocha Pato era também um jornalista que sonharia ser escritor. Um sonho, atrevo-me a dizer, muito sonhado por jornalistas", acrescenta.

Na conversa com a Lusa, Rui Pato lembrou, por outro lado, o espólio de 40 anos de fotografias que mantém do seu pai e que "dava para uma grande edição de fotografia de Coimbra".

"Ele andava sempre de máquina fotográfica, fotografou todas as inaugurações possíveis e imaginárias, desastres, incêndios, cheias, a Alta de Coimbra antes da destruição para serem construídas as faculdades", enfatizou.

Há fotografias de Salazar e Américo Tomás e de quando a rainha [de Inglaterra] Isabel II veio a Portugal, à Batalha e a Coimbra. Está tudo em negativo, era preciso passar para positivo e um livro de fotografia é caro, mas temos andado a pensar o que fazer", acrescentou Rui Pato.

O lançamento em Coimbra de "Uma Luz no Mar" está agendado para terça-feira, às 18:30, na livraria Almedina Estádio, com apresentação a cargo de Abílio Hernandez.

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