De acordo com o sítio 'online' do Konstnärsnämnden, o comité sueco de apoio às artes, a bolsa Birgit Cullberg, que distingue anualmente um jovem coreógrafo, foi atribuída este ano ao criador português.

Na justificação, o júri escreveu: "O trabalho notável de Dinis Machado ancora o movimento do corpo de uma forma de expressão idiossincrática contemporânea".

"Na intersecção da dança e das artes visuais, articula uma prática que acolhe, simultaneamente, uma multiplicidade de vozes e uma fundamental, mas, por vezes esquecida verdade da nossa humanidade coletiva: que somos algo em desenvolvimento, em vez de algo fixo", acrescenta o documento do júri da bolsa.

Desta forma, "o trabalho de Machado e dos seus bailarinos, continua a questionar a noção do que é a coreografia e como pode ser utilizada".

"Tal como fez antes [a bailarina e coreógrafa sueca] Birgit Cullberg, Machado atravessa corajosamente as fronteiras dos media artísticos, descobrindo combinações relevantes de materiais, parâmetros físicos profundos e paradigmas estéticos especificos nas suas criações", acrescenta ainda.

Dinis Machado, nascido no Porto, em 1987, e a residir em Estocolmo desde 2012, esteve em maio do ano passado no Festival Internacional de Dança Contemporânea do Uruguai (FIDCU), para apresentar a sua mais recente obra, "Consubstanciação".

Nessa peça, problematiza a questão do género, jogando com o imaginário das identidades sexuais, e a ideia de "in-betweenness". Foi um regresso ao certame onde, em 2013, já apresentara "Dramaturgia".

Em 2016, apresentou "Paradigma”, em Matosinhos, no âmbito do Festival Dias da Dança, e estreou "In a Manner of Speaking", com o Ballet Contemporâneo do Norte, em Santa Maria da Feira, uma "desmontagem" de ideias feitas sobre a dança, que também apresentou em Lisboa, no Espaço Negócio da Galeria Zé Dos Bois, no âmbito do festival Temps d'Images.

No ano seguinte, no trabalho como coreógrafo residente da companhia de Santa Maria da Feira, fundada por Elisa Worm, criou "Barco Dance Collection", projeto partilhado com outros coreógrafos, que também assumiu como bailarino. "Barco Dance Collection" foi levado ao Serralves em Festa, no Porto, ao festival Citemor, de Montemor-o-Velho, e a palcos da Austrália e do Reino Unido.

Nesse ano, voltou a atuar em Lisboa, no contexto da temporada de dança do Centro Cultural de Belém.

No ano passado, esteve no Festival Internacional de Dança Contemporânea de Évora, onde apresentou “Normcore”, uma coprodução da companhia sueca Barco, sediada em Estocolmo, com a Companhia de Dança Contemporânea de Évora.

Dinis Machado tem o 'master' em Coreografia pela escola superior de dança de Estocolmo, dirigido por Jefta Van Dinther e Frederic Gies. Estudou Artes Visuais na Maumaus, teatro, na ESTC, Ballet e Dança Contemporânea no Balleteatro.

Desde 2007, apresenta o seu trabalho em palcos de Alemanha, Austrália, Áustria, Croácia, França, Portugal, Reino Unido, Suécia e Uruguai, com companhias como O Cão Solteiro, as nova-iorquinas DD Dorvillier e Trisha Brown, a escocesa Weld e a inglesa Dance4, de Nottingham, ou a Critical Path, de Sidney, na Austrália.

O seu trabalho conta com o apoio de instituições como o Conselho Sueco para as Artes e o Arts Council de Inglaterra, assim como da Direção-Geral das Artes, em alguns projetos.

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