Denominada RELI – Rede de Livrarias Independentes, esta associação livre de apoio mútuo é hoje lançada, juntamente com o respetivo site - www.reli.pt –, e tem como objetivo “coordenar esforços para enfrentar a crise no mercado livreiro, que vem comprometendo, já há vários anos, a existência de pequenas livrarias em todo o país”, referem os livreiros, numa nota enviada à comunicação social.

Esta rede “tem uma causa: conjugar esforços para levarmos por diante os nossos projetos individuais e o grande projeto coletivo que é o de dotar o país de uma rede de livrarias especializadas e de proximidade”, sublinham, numa nota que é assinada, em nome de todos, por José Pinho, da Livraria Ler Devagar, e Rosa Azevedo, da Livraria Snob.

“Acreditamos que a constituição desta plataforma nos vai permitir agregar esforços, juntar todos os livreiros independentes de Portugal — maioritariamente micro e pequenas empresas —, delinear estratégias e ações comuns e enfrentar esta situação inédita, que nos apareceu num momento em que o encerramento das livrarias independentes — empurradas para fora dos seus estabelecimentos pelos efeitos da desenfreada, desnecessária e absurda especulação imobiliária — dava sinais de algum abrandamento”, lê-se numa carta aberta dirigida pelos livreiros aos órgãos de soberania.

Juntamente com o lançamento da rede e do respetivo site, são lançadas duas ações conjuntas, “Livraria às Cegas” e “Fique em Casa”, numa tentativa de manter em movimento o negócio dos livros, procurando fazer face à atual conjuntura.

“Livraria às cegas” é uma iniciativa que desafia o público a escolher um livreiro, pedir-lhe livros “de olhos fechados” e, mediante um pagamento igual ou superior a 15 euros, receber um pacote-surpresa em casa.

A campanha “Fique em casa, mas não fique sem livros” apela aos leitores para que encomendem livros numa das livrarias independentes da rede, e os livros serão enviados sem encargos dos portes de envio.

As duas iniciativas estão no site da RELI, que dispõe também da listagem de livrarias que fazem parte da rede, com as respetivas moradas e contactos.

A RELI pretende ainda que este venha a ser um ‘site’ com venda online e georreferenciação das livrarias aderentes à rede, constituindo “o embrião de uma central de compras e de distribuição”.

Em tempos de uma crise que nem em tempos de guerra ou de outras calamidades globais foi vivida, porque se trata de uma luta “muito desigual”, em que “não [se sabe] onde estão as armas e não [há] um inimigo declarado à vista”, a RELI está a tentar assegurar a sobrevivência das livrarias independentes, num cenário em que “as ruas estão desertas, e as pessoas, acantonadas em suas casas, não podem sequer ocupar os seus lugares nas trincheiras”.

O comércio fechou, mas a ministra da Cultura, Graça Fonseca, disse que seria possível abrir as livrarias e vender ao postigo, uma hipótese pouco adequada à realidade de uma livraria, e dos clientes que a procuram.

“O problema aqui não é abrir em condições precárias ou não abrir. O problema é que, mesmo que estivessem abertas, as ruas estão desertas e os clientes não saem de casa para ir às livrarias comprar livros”, disse à Lusa José Pinho.

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